Casal que adotou 6 crianças precisa de Kombi para transportá-las

João Nogueira e Árina Cynthia fazem vaquinha on-line para comprar o veículo. Saiba como ajudar

atualizado 05/01/2020 11:40

Yanka Romão/Metrópoles

Em 2019, dados do Cadastro de Adoção do Distrito Federal constataram uma triste realidade: a de que 94% das famílias que adotaram crianças optaram por menores de 3 anos de idade. Infelizmente, os casos de pessoas que se interessam por crianças de 7 a 18 anos ainda são raros.

Contrariando as estatísticas, há seis anos, o professor João Nogueira, 31 anos, e a ex-mulher, Thamara Cordeiro, 32, realizou a maior adoção do Distrito Federal. De repente, a casa onde viviam apenas os dois virou lar. A dupla decidiu respeitar o desejo dos irmãos Eduarda, 14; Eduardo, 12; das trigêmeas Ana Clara, Maria Luiza e Mariana, 10; e da caçula Yasmin, 8. Todos viviam em um abrigo ligado à Secretaria de Educação e desejavam ir para a mesma casa, compartilhando sonhos e planos para o futuro.

“Eu queria ser pai, independentemente da idade da criança” 

João Nogueira

O processo teve início no final de 2013. Na fase de transição, as crianças passaram as festas de fim de ano na casa do educador, junto a ele e a ex-companheira. Em janeiro do ano seguinte, eles entraram com o pedido de guarda e fizeram o curso preparatório para assumir os filhos. “Essa fase é muito importante para desmitificar os vários dilemas sobre o tema”, conta João.

Disposto a enfrentar os desafios da adoção tardia, o professor criou laços com cada uma das crianças. Em pouco tempo, uma amizade se formou. A relação de confiança era mútua.

Segundo a psicóloga Saritha Guimarães, esse é um dos maiores desafios de quem passa por situação semelhante.

“A criança já chega à casa com uma personalidade, com vícios de linguagem e comportamento, assim como o adulto”, aponta a especialista.

João, no entanto, não desistiu nem esmoreceu.  O convívio com os pequenos só dava mais ânimo.

O processo

Segundo o professor, o processo de adaptação das crianças foi positivo. A vinculação, entretanto, exigiu disposição e jogo de cintura, afinal, cada uma delas tinha uma personalidade própria.

Não é um conto de fadas, entrei em uma família que já existia

João Nogueira

Na visão de Nogueira, o interesse primordial da adoção é atender a perpetuação e a restituição do jovem na convivência familiar e comunitária.

Para enfrentar as dificuldades do dia a dia e da paternidade, João frequenta a Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD). O local conta com muitos trabalhos sobre o assunto e relaciona as experiências das famílias adotantes.

Arquivo Pessoal
João reunido com os seis filhos

Em 2016, logo após sair a certidão dos meninos, João e Thamara se divorciaram. “Nós somos os adultos da relação. As crianças não estão associadas com a dissolução da nossa união”, elucida o professor.

Mesmo separados, os dois continuaram morando juntos, até que encontrassem o momento ideal. Ao final, todos os filhos foram morar exclusivamente com Nogueira.

Nova integrante

Em 2019, aconteceu outra reviravolta na vida de João Nogueira. Em uma roda de samba no Cruzeiro, o jovem conheceu a assistente social Árina Cynthia, 29. O elo foi praticamente imediato, e ela entrou para “a grande família” brasiliense.

Desde do primeiro encontro, o educador deixou claro que era pai de seis filhos. Agora, o casal pretende ter outros rebentos – tanto biológicos quanto adotivos.

Eu construí uma relação com as crianças baseada na conversa e no afeto 

Árina Cynthia
Arquivo Pessoal
Árina com João e as trigêmeas

Amiga-oculta

Dois anos atrás, João se viu desempregado. Com dificuldade para pagar algumas contas, acabou atrasando algumas parcelas do carro da família, que tinha espaço para todas as crianças. Acabou ficando sem o automóvel. Desde então, não conseguiu adquirir outra forma de transporte, mesmo voltando ao mercado de trabalho.

Para ajudar o clã, a analista de comunicação Beatriz Trece montou recentemente o projeto Kombão do Amor. Em um amigo-oculto, a jovem tirou a amiga, Árina, e resolveu fazer uma surpresa.

O anúncio para a contribuição foi feito por meio da Vakinha Online. O objetivo é claro: comprar uma Kombi em que caiba toda a família.

“A ideia foi muito legal, porque não foi um presente físico”, conta.

Arquivo Pessoal
A pretensão do clã é comprar uma Kombi usada em perfeito estado

O resultado surpreendeu. Eles desejam arrecadar R$ 23 mil, e conseguiram, até o último domingo (29/12/2019), cerca de 27% do valor. Para sorte da família, o percentual cresce todos os dias. “Até fevereiro, alcançaremos o valor almejado”, conclui Beatriz.

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