Dezembro Laranja: prevenção contra câncer de pele vai além do protetor

Saiba como identificar e prevenir o tipo de tumor maligno mais comum entre os brasileiros

O câncer de pele não melanoma é o mais comum entre os brasileiros e, segundo o Inca, compõe 30% dos tumores malignos no país. Apesar disso, o descaso da população com a saúde impulsionou a criação de um mês de prevenção, o Dezembro Laranja.

A época do ano é marcada pelo verão e, consequentemente, mais tempo pegando sol. A dermatologista Clarissa Borges explica que essa é uma das principais causas do câncer de pele.

“A exposição ao sol de forma descontrolada é um grande fator de risco. Às vezes, a pessoa faz isso quando é jovem e, só depois, no início da meia-idade, começa a ter manchas de lesão pré-maligna. Se não forem tratadas, podem evoluir para um câncer de pele”, afirma.

Outros fatores de risco são histórico na família e pele branca, principalmente se a pessoa tiver cabelos e olhos claros. “Atualmente, há estudos que comprovam também a ligação entre queimaduras solares na infância ou início da adolescência e tumores malignos, porque elas aumentam a predisposição na fase adulta”. Por isso, a especialista reforça a necessidade de proteger as crianças.

Existem dois tipos de câncer de pele: o melanoma e o não melanoma. O primeiro é mais incomum e afeta de 3% a 4% das pessoas com a doença, enquanto o outro atinge cerca de 96%. A diferença entre eles, segundo Clarissa, é o comportamento.

 

O não melanoma não gera metástase e é altamente tratável com cirurgia para retirada do tumor. Por outro lado, o melanoma requer quimioterapia, pode se espalhar pelo corpo e, mais frequentemente, ser fatal.

Geralmente, os sintomas se manifestam de três formas. “Você sente mais do que vê as lesões. A pele fica áspera em partes como o nariz, embaixo dos olhos, têmporas e braços, locais frequentemente expostos ao sol. Nessas placas, a pigmentação fica maior também”, comenta Clarissa.

O segundo sinal de alerta é ter feridas que demoram mais de quatro semanas para cicatrizar. Pintas novas são o terceiro motivo de preocupação, especialmente se elas possuem as anormalidades ABCDE: assimetria; bordas recortadas e não arredondadas; cores múltiplas; dimensão grande e evolução. Caso qualquer alteração na pele se manifeste, Clarissa recomenda procurar um médico imediatamente.

O diagnóstico é feito a partir da avaliação de um dermatologista. A confirmação, por meio de uma biópsia, que esclarece se o tumor é benigno ou maligno e qual o tipo de câncer. Uma boa forma de precaução é ir a um especialista regularmente.

“Usar filtro solar é só uma das atitudes de prevenção do câncer”, ressalta Clarissa. “É importante usar óculos escuros e chapéus de abas largas. Os homens têm mais tumores no pavilhão da orelha, porque a maioria tem cabelo curto, deixando essa parte do corpo desprotegida”, fala.

A dermatologista esclarece que o protetor solar deve ser aplicado também nas orelhas e nos lábios. “Comprar sombrinha com material mais espesso e contra raios UV ajuda. Não esqueça também de usar filtro solar quando estiver na água e reaplicar logo depois de sair do mar ou da piscina. Não economize na quantidade e escolha um item com proteção 30, no mínimo”.