Rainha virtual. Quem tem medo de Ana Tirana?

Persona da atriz brasiliense Ana Flávia Garcia faz sucesso nas redes sociais com tiradas sarcásticas. Frases politicamente incorretas vão ilustrar singelas canecas de cerâmica

atualizado 30/01/2016 5:46

Rafael Herzog/Divulgação

Ana tirana4Pouca coisa se sabe da intimidade da persona que atende pelo nada singelo nome de Ana Tirana. Uma coisa é provável: o temível IMC (Índice de Massa Corporal) estourou a boca do balão. Só não pergunte quantos quilos essa anarquista virtual atingiu pós festas de fim de ano. Você corre o risco de levar um “tapa” na cara e abandonar as redes sociais por vergonha alheia. A criatura desbocada tem a língua afiada e sua “voz de ovo virado” é capaz de lhe deixar arrastando como um “ofídio” humilhado. Melhor mesmo é gargalhar com o humor ácido e cortante dessa despirocada. O que tem atraído uma plateia cada vez mais crescente.

No começo, em 2012, os seguidores eram amigos de Ana Flávia Garcia, atriz e palhaça que gestou “a moça desbocada” numa disciplina de filosofia da UnB (em 2007). Agora, são amigos de amigos de amigos de amigos, que nem sabem da origem dessa história. O fato é que Ana Tirana ganha espaço e, seus petardos virtuais vão ilustrar cobiçadas canecas de cerâmica, concebida pela artista plástica e dramaturga Andreia Alfaia.

Ana Tirana é a voz que acorda com a macaca, que joga merda no ventilador, que tiraniza os outros quando o bonito é respeitar as diferenças de opinião. É um bufão virtual, aquele que tem o dom da palavra e usa pra tumultuar o senso comum em um bem pequeno território virtual.

Ana Flávia Garcia

Anárquica humanista

Gustavo Serrate/Divulgação
Ana Flávia Garcia e/ou Ana Tirana: eis, a questão?

 

Essa doidona das redes sociais não está aí para regras de quaisquer naturezas. É chegada num palavrão, ama uma escatologia, tem aversão às convenções do bom costume e odeia qualquer forma de governo. Anarquista amoral, rasga, sem piedade, os compromissos com dogmas diversos. No entanto, nutre uma consciência humanista impressionante. Não faz coro aos que desprezam o ser humano. Com humor, ironia e astucia, humilha, de cátedra, os que pisoteiam o direito à vida. Racistas, homofóbicos, machistas e seus derivados apanham da mão pesada e, por vezes poética, de Ana Tirana.

Doce Geleia

Thiago Sabino/Divulgação
A atrapalhada e amada Geleia

 

A construção complexa de Ana Tirana tem relação intima com a vida de sua criadora, Ana Flávia Garcia, dona de outro tipo: a palhaça Geleia, cada vez mais doce, que já ganhou os palcos do Brasil afora. Com a primeira, a atriz se recria no exercício cômico e dramatúrgico de uma persona. Constrói, sem medo, uma exacerbação pessoal da artista e mulher.

Ana Tirana é parte fundamental na revisão da minha educação e polidez excessivas, da minha cortesia opressora, do meu treinamento ferrenho em simpatia. Essas virtudes, quando desmedidas, são quase tão problemáticas quanto sua ausência. Melhor se libertar. Mas ainda hoje, ocasionalmente, firo algo de muito doce que carrego comigo, me impregno de uma acidez cruel que pode dar uma vergonhazinha dependendo da TPM. Mas logo passa.

Ana Flávia Garcia

Essa libertação diz respeito à forma como Ana Flávia se relaciona com o que, para muitos, é o tal excesso de peso. Gorda e feliz da vida, ela tira sarro desse estereótipo.

Hoje, com 43 anos, sou uma gorda ativa, altiva, produtiva, nado, corro na água, mas dou uma bufada para subir dois andares de escada. Sou hipertensa também. Saca? As coisas têm mais camadas e densidades aí. Camadas até demais pra um IMC civilizado

Ana Flávia Garcia
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Teatro à vista
O sucesso e a aceitação de Ana Tirana podem levá-la ao teatro. Ana Flávia trabalha o projeto com uma equipe de artistas-admiradores para pensar a materialização da figura nos palcos.

Ana Tirana é meu filé mignon e infelizmente o teatro não tá bancando essa carne nobre por agora. Como a urgência é pelo sagrado pão com ovo nosso de cada dia, segue o investimento a médio prazo. Mas vai rolar!

Ana Flávia Garcia

 

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