O adeus ao humor genial de Paulo Silvino e à geração vinda da rádio
Ator é um dos últimos da safra de ouro que migrou para a tevê em busca de uma linguagem própria
atualizado
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A geração genial de humoristas que migrou da rádio para a tevê está se despedindo da vida entre nós. A morte de Paulo Silvino, aos 78 anos, sinaliza o quão próximo está o fim desse ciclo. Com ele, vai-se um tipo de humor que, hoje, descolou-se do cotidiano contemporâneo.
Os quadros de bordão, com seus tipos fixos, que se repetem continuamente em uma narrativa circular, resistem nas reprises do combativo “A Praça é Nossa” e na nova edição de “A Escolinha do Professor Raimundo”. Trata-se mais de uma homenagem simbólica do que uma tendência.
A partida do intuitivo Paulo Silvino significa o fim dessa era de ouro, formada por artistas de puro quilate. Vimos esse final se aproximar com a visita da dona morte a quase todo o elenco da “Escolinha do Professor Raimundo”, programa trazido da rádio para a tevê por Chico Anysio, nos anos 1990. Há poucos vivos. Agildo Ribeiro, o mito que brilhou no teatro, no cinema, na rádio e na tevê, é uma dessas raridades.
Em comum, esses artistas traziam a cancha que segurou a linguagem do humor televisivo por décadas. Só tempos depois, a tevê foi encontrando o seu jeito de fazer rir de forma independente. Talvez, a “TV Pirata” tenha sido esse fiel da balança. Até então, ríamos muito do “Balança Mais Não Cai”, programa que veio dessa verve tradicional entre a rádio e o teatro de revista.
https://www.youtube.com/watch?v=RhyBMWruyyk
Paulo Silvino traz essa linhagem de comédia da família. Era filho do humorista Silvério Silvino Neto, um fino parodiador, que o Brasil esqueceu. O pai, que contracenava com astros como Dercy Gonçalves, Walter D´Ávila e Costinha, levava o menino para as coxias das revistas e ele adorava ver as vedetes. Ali, aprendeu a entender o humor. Com a mãe, a pianista Noêmia Campos Silvino, pegou o gosto pela música e montou, na década de 1960, uma banda dedicada à bossa nova.
Essa versatilidade o colocou numa posição privilegiada. Tinha em mãos o casamento entre humor e música, num momento em que as revistas ainda eram apostas para os novos meios de comunicação: a chanchada, no cinema, e os programas de tevê. Paulo Silvino esteve nesse front. Da busca pela inovação, em programas como ”Satiricom”, ao tradicionalismo do “Balança mais não cai”, fez uma trajetória ímpar, que culminou na piada de bordões do extinto “Zorra Total”.
O seu humor, no entanto, eternizou-se em quadros como esses garimpados no YouTube. Vai-se um gênio de uma geração que se desfaz.












