Veja como evitar o coronavírus nas comemorações de Natal e Ano Novo

Com a ameaça de uma segunda onda de Covid-19, infectologistas sugerem que encontros se restrinjam ao núcleo próximo e aconteçam ao ar livre

As festas de fim de ano serão realizadas em meio à ameaça de uma segunda onda de Covid-19 no Brasil. Em outros países do mundo, onde os novos casos e óbitos registrados por causa da doença voltaram a bater recordes, as orientações têm sido para que as pessoas refaçam os planos de Natal e Réveillon, evitando a reunião de grandes grupos em residências.

O infectologista do Laboratório Exame e diretor científico da Sociedade de Infectologia do DF, José David Urbaez, é categórico ao dizer que, no Brasil, estamos enfrentando uma assustadora circulação do vírus, apesar de as pessoas insistirem em negar essa realidade.

“Uma pessoa querida que possa vir a se infectar e que tenha um desfecho grave, inclusive um óbito, não vale a pena para a família. Nós, da infectologia e da epidemiologia, temos repetido incessantemente que não é o momento de comemorações”, afirma.

A infectologista Ana Helena Germoglio, do Hospital Águas Claras, afirma que para uma comemoração segura seria necessário que todos os convidados usassem máscaras e respeitassem o distanciamento social entre si, uma realidade muito pouco factível em encontros de amigos e familiares.

Ela lembra que as pesquisas mostram que bastam encontros entre 15 e 30 minutos para que a disseminação do coronavírus ocorra e que são recorrentes os relatos sobre o surgimento de novos casos de Covid-19 após reuniões familiares.

“As pessoas acham que, pelo fato de estarem em família, estão protegidas, mas não estão. Elas têm a mesma probabilidade de pegar o vírus que teriam se estivessem em outro local”, pondera Germoglio.

Para a médica, uma alternativa com menos risco às festas tradicionais seria um encontro ao ar livre entre pessoas que já costumam conviver entre si. Veja os conselhos dela:

  • Restringir a quantidade de pessoas no encontro, formando pequenos grupos. Não existe um número mágico que represente segurança. O ideal é que apenas pessoas que já habitualmente convivem estejam juntas;
  • Preservar o distanciamento de, pelo menos, 1,5 metro, principalmente, se existirem idosos ou pessoas de grupos de risco no local;
  •  Evitar reuniões familiares em torno de idosos e pessoas que pertençam a grupos de risco;
  • Higienizar as mãos constantemente, antes e depois da troca de presentes e da refeição compartilhada;
  • Fazer a comemoração em ambientes abertos, que tenham ventilação natural;
  • Retirar a máscara somente no momento de comer e, mesmo assim, mantendo o distanciamento.

“A gente vai ter que fazer um Natal diferente este ano. É cansativo para todo mundo: para quem trabalha na área da saúde, porque as equipes estão desgastadas e para as pessoas que estão na quarentena, principalmente, as dos grupos de risco. É difícil ser altruísta por tanto tempo, mas temos que pensar no bem-estar das pessoas com quem a gente convive”, aconselha a infectologista.

Presentes

O Natal é tradicionalmente a data que mais movimenta o comércio brasileiro. Como consequência, é comum se deparar com lojas cheias de pessoas em busca de presentes, especialmente nos dias que antecedem a data.

Em ano de pandemia, é importante criar estratégias para evitar a aglomeração. A infectologista do Hospital Águas Claras sugere as compras online, quando possível. Quando sair de casa for inevitável, os consumidores devem ir em horários de menor fluxo, evitar lojas muito cheias e sempre ter álcool em gel à mão.

Outra tradição que deve mudar este ano é a da foto com o Papai Noel. Alguns shoppings já aderiram aos encontros virtuais. Ana Helena Germoglio explica que o personagem é quem corre o maior risco ao passar o dia abraçando crianças que sonham em conhecê-lo. “Geralmente é algum idoso, já obeso. Vamos conservar o Bom Velhinho!”, brinca a profissional.