Síndrome dos ovários policísticos muda de nome após anos de debate
A síndrome dos ovários policísticos não é causada por cistos e, por isso, a nomenclatura era considerada confusa por médicos e pacientes
atualizado
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A síndrome dos ovários policísticos, conhecida como SOP, passará a ser chamada de síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ou PMOS, na sigla em inglês. O novo nome foi decidido após anos de debate entre especialistas, pacientes e entidades médicas. A mudança foi anunciada na revista cientifica The Lancet nesta terça-feira (12/5).
Segundo os pesquisadores, o novo nome busca corrigir uma imprecisão histórica: apesar de muito conhecida pelo termo “ovários policísticos”, a síndrome não é definida pela presença de cistos nos ovários.
A condição afeta cerca de 1 em cada 8 mulheres no mundo, o equivalente a mais de 170 milhões de pessoas, e está associada a alterações hormonais, metabólicas, reprodutivas, dermatológicas e de saúde mental.
Por que o nome mudou?
O termo síndrome dos ovários policísticos era considerado confuso porque dava a entender que a presença de cistos seria a principal característica da doença. Na prática, especialistas explicam que o que costuma aparecer nos exames são folículos que não amadureceram completamente, e não cistos ovarianos patológicos.
Esses cistos verdadeiros podem crescer, romper, sangrar e causar dor. Já na SOP, o problema envolve principalmente uma desregulação hormonal e metabólica, com impactos que vão além dos ovários.
“Este processo de troca de nome foi uma iniciativa global de grande magnitude. A denominação antiga era errônea porque focava apenas nos chamados cistos, que na verdade não são cistos, mas folículos com crescimento interrompido. Além disso, algumas mulheres com o diagnóstico nem apresentam esse aspecto nos ovários. A síndrome tem causas genéticas, endócrinas e metabólicas, com o comprometimento de vários hormônios, como insulina, androgênios, hormônio luteinizante (LH) e hormônio antimülleriano (AMH). O novo nome é mais abrangente e inclusivo para as mulheres que convivem com a condição”, explica Poli Mara, subcoordenadora do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
A nova nomenclatura, segundo os pesquisadores, tenta refletir melhor esse quadro. O termo “poliendócrina” faz referência ao envolvimento de múltiplos hormônios, enquanto “metabólica” destaca a relação com resistência à insulina, ganho de peso e maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
A alteração do nome foi resultado de um processo internacional de consenso que envolveu pesquisas com milhares de pacientes e profissionais de saúde. Ao todo, 56 organizações acadêmicas, clínicas e de defesa de pacientes participaram da iniciativa.
A expectativa dos especialistas é que a nova nomenclatura ajude a reduzir atrasos no diagnóstico. Estimativas citadas pelos pesquisadores indicam que uma parcela significativa das pacientes ainda vive sem diagnóstico, em parte porque a condição é frequentemente associada apenas a alterações nos ovários ou à fertilidade.
Apesar do anúncio, o termo SOP ainda deve continuar sendo usado por um período de transição. A orientação dos pesquisadores é que a adoção do novo nome ocorra aos poucos, com atualização de materiais educativos, diretrizes clínicas e ferramentas voltadas a pacientes.
