Sarampo: saiba mais sobre os sintomas, tratamentos e transmissão

A doença é altamente contagiosa e o Brasil corre risco de perder o certificado internacional de erradicação

Iuliia Mikhalitskaia/iStockIuliia Mikhalitskaia/iStock

atualizado 24/02/2019 16:09

Considerado erradicado por muitos anos, o sarampo parece estar voltando depois de surtos registrados na Região Norte do país. Segundo o Ministério da Saúde, parte da população deixa de se imunizar por achar que não há mais perigo e por conhecer pouco sobre a doença.

Altamente contagioso mas de fácil prevenção (a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde), o sarampo gera sintomas como febre, tosse persistente, corrimento nasal e conjuntivite, com pequenas manchas avermelhadas que começam perto do couro cabeludo e depois vão descendo e se espalhando pelo corpo.

A vacina contra o sarampo é a melhor forma de prevenir a doença e faz parte do calendário básico de vacinação infantil, sendo dada às crianças entre 12 e 15 meses, com reforço entre 4 e 6 anos. Essa vacina é altamente eficaz, mas, como o vírus pode sofrer mutação, mesmo pessoas vacinadas podem ser infectadas anos mais tarde.

1. Quem deve tomar a vacina?
A imunização geralmente é feita gratuitamente após os 12 meses de idade, com reforço entre os 15 e 24 meses. No caso da vacina tetraviral, a dose normalmente é única e deve ser aplicada entre os 12 meses e os 5 anos.

Existem três formas principais de se tomar a vacina do sarampo, a vacina exclusiva ou as combinadas:

  • Vacina tríplice viral: contra sarampo, caxumba e rubéola;
  • Vacina tetraviral: que protege também da catapora.

Qualquer pessoa que ainda não tenha tomado a medicação pode ser vacinada e a imunização também deve ser administrada naqueles expostos ao vírus, como acontece quando os pais não foram vacinados e têm um filho com sarampo. Mas, nesse caso, para que tenha efeito, é preciso que a imunização aconteça até três dias depois do surgimento dos sintomas na criança.

2. Quais os principais sintomas?

  • Manchas avermelhadas na pele que aparecem primeiro no rosto e depois espalham-se em direção aos pés;
  • Manchas brancas arredondadas dentro da bochecha;
  • Febre alta, acima dos 38,5 ºC;
  • Tosse com catarro;
  • Conjuntivite;
  • Hipersensibilidade à luz;
  • Nariz escorrendo;
  • Perda do apetite;
  • Pode haver dor de cabeça, dor abdominal, vômitos, diarreia e dor nos músculos;
  • O sarampo não coça, ao contrário do que acontece em outras doenças como catapora e rubéola.

O diagnóstico do sarampo pode ser feito por meio da observação de seus sintomas, especialmente nos lugares mais afetados pela doença. Porém, pode ser necessário um exame de sangue para evidenciar a presença de vírus e anticorpos.

Outras doenças que podem causar sintomas semelhantes e, por isso, podem ser confundidas com o sarampo são rubéola, roséola, escarlatina, doença de Kawasaki, mononucleose infecciosa, febre maculosa das montanhas rochosas, infecção por enterovírus ou adenovírus e sensibilidade a medicamentos.

3. O sarampo coça?
Ao contrário de outras doenças como a catapora e a rubéola, as manchas do sarampo não causam coceira na pele.

4. Qual o tratamento recomendado?
O tratamento consiste em diminuir os sintomas por meio de repouso, hidratação adequada e uso de medicamentos para baixar a febre. Além disso, a Organização Mundial da Saúde indica a suplementação com vitamina A para todas as crianças diagnosticadas com a doença.

Normalmente, a pessoa com sarampo se recupera completamente em cerca de 10 dias após o início dos sintomas. Mas o médico pode indicar o uso de antibióticos quando existem evidências de infecção bacteriana, como infecção de ouvido ou pneumonia, por exemplo, que são complicações comuns do sarampo.

5. Qual o vírus que causa o sarampo?
O sarampo é um vírus da família Morbillivirus, que consegue crescer e se multiplicar nas mucosas do nariz e da garganta de um adulto ou de uma criança. Por isso, é facilmente transmitido em pequenas gotículas liberadas ao tossir, falar ou espirrar.

Nas superfícies, o vírus pode ficar ativo até durante duas horas. Por isso, é importante desinfectar bem todas as superfícies em cômodos onde esteve alguém com sarampo.

6. Como acontece a transmissão?
O contágio do sarampo ocorre principalmente pelo ar, quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e a outra inala estas secreções. Durante os quatro dias que antecedem as manchinhas na pele até o seu desaparecimento completo, o paciente está perigosamente infectante: é quando as secreções estão bem ativas.

7. Como prevenir o sarampo?
A melhor forma de prevenir é vacinar contra a doença. No entanto, existem alguns cuidados simples que também podem ajudar, como:

  • Lavar as mãos frequentemente, especialmente após estar em contato com pessoas doentes;
  • Evitar tocar nos olhos, nariz ou boca, caso as mãos não estejam limpas;
  • Evitar estar em locais fechados e com muita gente;
  • Não ter contato direto com pessoas doentes, como beijar, abraçar ou partilhar talheres.

O isolamento é outra forma eficaz de impedir o contágio da doença, embora somente a vacinação seja realmente eficaz. Por isso, se uma pessoa for diagnosticada com sarampo, todos os que mantêm contato próximo com ela, como os pais e os irmãos, devem ser vacinados, caso ainda não tenham sido. O doente deve ficar em casa, de repouso, para não contaminar os outros.

8. Quais as complicações do sarampo?
Na maior parte dos casos, o sarampo desaparece sem causar qualquer tipo de sequela. No entanto, em pessoas com o sistema imune mais enfraquecido, podem surgir algumas complicações, como:

  • Obstrução das vias respiratórias;
  • Pneumonia;
  • Encefalite;
  • Infecção do ouvido;
  • Cegueira;
  • Diarreia grave que leva à desidratação.

Além disso, caso o sarampo surja em gestantes, também existe um elevado risco de que o parto seja prematuro ou ocorra um aborto espontâneo.

Pacientes com o sistema imune muito fraco – como aqueles em tratamento contra o câncer ou contra a Aids, crianças que já nasceram com o vírus HIV e pessoas que receberam algum transplante de órgão ou que estão em estado de desnutrição – podem não conseguir se defender do vírus.

(Com informações do portal Tua Saúde)

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