Ômicron: EUA registra recorde de crianças internadas com Covid

Ao menos 4 mil menores de idade estão hospitalizados no país. Alta nos casos infantis segue a mesma tendência do restante da população

Em meio ao avanço da variante Ômicron, os Estados Unidos bateram recorde de crianças internadas com Covid-19 nessa quarta-feira (5/1). Segundo levantamento do jornal americano The Washington Post, ao menos 4 mil menores de idade estão hospitalizados.

Essa é a primeira vez que o país atinge recorde acima de picos anteriores registrados durante o verão nos EUA, entre os meses de junho e agosto de 2021. Na véspera do Natal, os números do jornal mostravam metade do contabilizado nesta semana, com menos de 2 mil crianças.

Após alta nos casos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos liberou a aplicação das doses de reforço com o imunizante da Pfizer a todos entre 12 e 15 anos de idade. “É fundamental que protejamos nossas crianças e adolescentes da infecção por Covid”, disse Rochelle Walensky, diretora do CDC.

“A Covid está sobrecarregando nossos hospitais e os hospitais infantis. A vacina é uma ferramenta que precisamos usar para ajudar nossos filhos durante esta pandemia”, defendeu a pediatra Katherine Poehling, membro do painel de especialistas do centro.

Nos EUA, crianças a partir dos 5 anos de idade também estão aptas a tomar a vacina da Pfizer. De acordo com os dados do governo local, a faixa etária dos 5 aos 11 anos, que equivale a 8,9% da população americana, é a que mais iniciou e completou o esquema de vacinação nos últimos 14 dias (21,8% e 37,1%, respectivamente).

A mesma faixa etária contabiliza 6% dos casos de Covid-19 registrados no país. No total, 221 crianças (0,03%) desse grupo morreram em decorrência do coronavírus. Ainda segundo o relatório do CDC, a faixa dos 12 aos 17 anos corresponde a 7,1% do total de casos e 0,07% do total de mortes (489 óbitos).

Um relatório da Academia Americana de Pediatria (AAP), divulgado em dezembro, indica que os casos de Covid entre as crianças seguem a mesma tendência de alta vista no restante da população dos EUA como um todo.

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A Anvisa aprovou, em 16 de dezembro, a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos. Para isso, será usada uma versão pediátrica da vacina, denominada Comirnaty
A vacina é específica para crianças e tem concentração diferente da utilizada em adultos. A dose da Comirnaty equivale a um terço da aplicada em pessoas com mais de 12 anos
A tampa do frasco da vacina virá na cor laranja, para facilitar a identificação pelas equipes de imunização e também por pais, mães e cuidadores que levarão as crianças para receberem a aplicação do fármaco
Desde o início da pandemia, mais de 300 crianças entre 5 e 11 anos morreram em decorrência do coronavírus no Brasil
Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias. Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no público infantil é significativa. Fora o número de mortes, há milhares de hospitalizações
De acordo com a Fiocruz, vacinar crianças contra a Covid é necessário para evitar a circulação do vírus em níveis altos, além de assegurar a saúde dos pequenos
Contudo, desde o aval para a aplicação da vacina em crianças, a Anvisa vem sofrendo críticas de Bolsonaro, de apoiadores do presidente e de grupos antivacina
Para discutir imunização infantil, o Ministério da Saúde abriu consulta pública e anunciou que a vacinação pediátrica teria início em 14 de janeiro. Além disso, a apresentação de prescrição médica não será obrigatória
Inicialmente, a intenção do governo era exigir prescrição. No entanto, após a audiência pública realizada com médicos e pesquisadores, o ministério decidiu recuar
De acordo com a pasta, o imunizante usado será o da farmacêutica Pfizer e o intervalo sugerido entre cada dose será de oito semanas. Caso o menor não esteja acompanhado dos pais, ele deverá apresentar termo por escrito assinado pelo responsável
Além disso, apesar de não ser necessária a prescrição médica para vacinação, o governo federal recomenda que os pais procurem um profissional da saúde antes de levar os filhos para tomar a vacina
Segundo dados da Pfizer, cerca de 7% das crianças que receberam uma dose da vacina apresentaram alguma reação, mas em apenas 3,5% os eventos tinham relação com o imunizante. Nenhum deles foi grave
Países como Israel, Chile, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Argentina e Cuba, e a própria União Europeia, por exemplo, são alguns dos locais que autorizaram a vacinação contra a Covid-19 em crianças
Nos Estados Unidos, a imunização infantil teve início em 3 de novembro. Até o momento, mais de 5 milhões de crianças já receberam a vacina contra Covid-19. Nenhuma morte foi registrada e eventos adversos graves foram raros
A decisão do Ministério da Saúde de prolongar o intervalo das doses do imunizante contraria a orientação da Anvisa, que defende uma pausa de três semanas entre uma aplicação e outra para crianças de 5 a 11 anos

Na semana que terminou em 31 de dezembro, a AAP registrou mais de 325 mil novas infecções nesse grupo. O número representa um salto de 64% em relação aos 199 mil registros na semana de 23 de dezembro e quase o dobro dos casos confirmados nas duas semanas anteriores.

Desde o início da pandemia, a AAP contabilizou quase 7,9 milhões de crianças infectadas pela Covid-19. Desse total, 2,8 milhões (ou 35,4%) de casos foram registrados entre setembro de 2021 e janeiro de 2022.

As crianças podem atuar como transmissoras, muitas vezes assintomáticas, para grupos mais vulneráveis. Tendo em vista essa preocupação, cidades como Chicago, Milwaukee, Atlanta e Detroit adiaram a retomada das aulas presenciais.