O que acontece se o Brasil perder o selo de erradicação do sarampo

Caso a Opas retire do país o certificado de área livre da doença, haverá consequências para o ambiente de negócios e para o turismo

atualizado 23/02/2019 14:12

vacina sendo aplicadaistock

Com surtos de sarampo acontecendo na Região Norte do país, o Brasil pode perder a certificação internacional de erradicação da doença. A atualização concedida pela Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) deve ser divulgada até o dia 28 de fevereiro e é feita quando o país passa 12 meses sem casos. Mas por que esse selo é tão importante?

“Com o baixo índice de vacinação e a reentrada do sarampo no Brasil, há o risco de perdermos o certificado de área livre da doença. Se o Brasil perde, as Américas perdem. Se as Américas perdem, uma pessoa não pode chegar e nem sair do continente sem a comprovação de vacina. Tem implicações muito grandes para todos os ambientes de negócios, para todas as instâncias turísticas, é o que significa em um mundo globalizado restrições por questão sanitária”, diz o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Ainda segundo o ministro, a falta de vacinação não é pela ausência de medicamentos disponíveis, mas pela pouca importância que a população dá à imunização. Fala-se pouco de sarampo por ser uma doença praticamente erradicada. “A poliomielite também é um exemplo. Pais e responsáveis não veem mais essas doenças como um risco. Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios”, afirma Mandetta.

Preocupado, o Ministério da Saúde deve implementar uma campanha para incentivar a vacinação. Em 2018, 49% dos municípios não atingiram a meta de cobertura vacinal de sarampo, e os três estados mais preocupantes são exatamente os que sofrem com o surto: Pará (83% dos municípios não bateram a meta), Roraima (73,3%) e Amazonas (50%).

No Distrito Federal, 83,93% das crianças com menos de 2 anos estão imunizadas. A proteção contra o sarampo é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde com duas opções: a tetra viral, que protege, além do sarampo, contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos 15 meses; e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15 meses.

(Com informações da Agência Saúde)

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