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A idade ideal para crianças terem o próprio celular, segundo pediatras

Uso precoce do celular por crianças pode afetar sono, atenção e até a autoestima. Saiba o que deve ser avaliado antes da decisão

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1 de 1 Foto colorida de criança mexendo no celular - Pediatra diz qual a idade ideal para crianças terem o próprio celular - Metrópoles - Foto: Freepik

A presença do celular na infância deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de muitas famílias. O telefone é usado para assistir vídeos, jogar, conversar e até como forma de entretenimento em momentos de espera.

Com esse cenário, é bem comum que os pais tenham dúvida de qual o melhor momento para uma criança ter o próprio celular. Os especialistas de saúde contam que não existe uma idade única que sirva como regra para todos os casos. 

O que existe, na verdade, é a orientação de que quanto mais tarde o acesso acontecer, melhor para o desenvolvimento da criança. A infância é uma fase essencial para a construção de habilidades emocionais, cognitivas e sociais, que dependem principalmente de interações reais e não de estímulos digitais.

“Nos primeiros anos de vida, a linguagem se desenvolve principalmente por meio da interação direta com adultos e outras crianças, da escuta ativa e da troca de olhares. O celular, quando usado como distração constante, reduz essas interações. Além disso, conteúdos rápidos e muito estimulantes podem dificultar o desenvolvimento da atenção sustentada”, explica a pediatra e neonatologista Renata Castro, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Principais malefícios do uso precoce do celular em crianças

  • Piora do sono e dificuldade para dormir.
  • Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem.
  • Dificuldade de concentração e mais impulsividade.
  • Aumento do sedentarismo e risco de obesidade.
  • Maior ansiedade e dependência de validação nas redes sociais.

Não é só uma questão de idade, mas de maturidade

Durante a infância, o cérebro ainda está em formação, principalmente nas áreas responsáveis pelo autocontrole, pela atenção e pela tomada de decisões. Por isso, o uso de um celular próprio exige um nível de maturidade que muitas crianças ainda não têm.

Antes dos nove ou 10 anos, o aparelho dificilmente é uma necessidade. Nessa fase, o ideal é que o contato com telas seja limitado e supervisionado. Já o celular próprio costuma ser mais indicado só a partir da pré-adolescência ou adolescência, após 12-14 anos, quando já existe uma maior capacidade de entender regras, lidar com frustrações e reconhecer riscos.

Além disso, os especialistas reforçam que mesmo quando o acesso começa, ele não pode ser livre. O mais recomendado é que aconteça de forma gradual, com limites de tempo e acompanhamento dos responsáveis.

“Além da idade, é fundamental observar se a criança consegue perceber riscos, obedecer aos limites estabelecidos pelos pais em relação ao tempo e aos conteúdos acessados, tolerar frustrações e lidar com negativas. Também é essencial que a família tenha um ambiente de diálogo aberto, no qual a criança se sinta segura para compartilhar o que vivencia no ambiente digital”, orienta a psicóloga Vanessa Ramos Lacombe, do Espaço Clínico Imaginatório, em Brasília.
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O uso do celular próprio é recomendado a partir da pré-adolescência ou adolescência

Malefícios do uso precoce do celular por crianças

O uso frequente do celular interfere em vários aspectos, e um deles é o sono. A luz da tela atrapalha a produção do hormônio que prepara o corpo para dormir, o que pode fazer a criança demorar mais para pegar no sono e descansar menos do que ela precisa.

A visão também pode ser afetada: ficar muito tempo olhando para o celular pode causar olhos secos, cansaço visual e dor de cabeça. Além disso, quanto mais tempo a criança passa parada usando o aparelho, menos ela se movimenta, o que contribui para o sedentarismo e o ganho de peso.

Outro ponto é que quando o celular ocupa muito espaço na rotina, experiências como conversar, ouvir histórias, brincar e interagir com outras pessoas diminuem. O hábito pode atrasar o desenvolvimento da fala, reduzir o vocabulário e dificultar a concentração. 

Crianças que se acostumam com estímulos rápidos também podem ter mais dificuldade para manter o foco em tarefas como estudar, ler ou acompanhar com tranquilidade uma explicação na escola.

Papel dos pais no uso do celular pelas crianças

Mais importante do que definir uma idade exata é reparar se a criança está preparada para receber um celular e lidar com a situação. Saber respeitar limites, aceitar quando é hora de parar e cumprir combinados são alguns sinais importantes.

O uso deve ter regras bem definidas, como horários e proibição antes de dormir ou durante as refeições. A supervisão é essencial, assim como o diálogo sobre o que a criança vê e faz no ambiente digital.

“O conteúdo também precisa ser adequado à idade, priorizando materiais educativos, interativos e sem violência, e evitando vídeos rápidos e redes sociais precoces. Sempre que possível, os pais devem acompanhar o que a criança assiste, conversar sobre o que foi visto e estimular o pensamento crítico. E nada disso funciona sem exemplo: o comportamento dos adultos é determinante para que a criança aprenda a usar o celular com equilíbrio”, ensina a pediatra Juliana Sobral, da Maternidade Brasília, da Rede Américas.

Nesse contexto, o celular pode fazer parte da vida, mas não deve substituir brincadeiras, conversas e experiências que são fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança.

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