Fluvoxamina: saiba sobre antidepressivo que ajuda tratamento da Covid

Estudo publicado na The Lancet mostra que remédio reduz em 32% as internações prolongadas após a infecção provocada pelo coronavírus

atualizado 28/10/2021 11:52

Pílulas de remédioGetty Images

Uma pesquisa realizada no Brasil mostra evidências de que o antidepressivo fluvoxamina pode reduzir em até 32% as taxas de hospitalização prolongada por Covid-19 entre pacientes de alto risco desde que seja prescrito logo no início da doença.

Publicado na quarta-feira (27/10) na revista científica The Lancet, o estudo mostra que o medicamento não ataca diretamente o coronavírus, mas ajuda na moderação da resposta imunológica.

A fluvoxamina é utilizada para tratar depressão, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e ansiedade através da inibição seletiva da receptação da serotonina, um neurotransmissor que regula o humor e a liberação de hormônios. Com isso, o medicamento permite o aumento dos níveis de serotonina no cérebro, melhorando e estabilizando o humor.

Já se sabia o medicamento é capaz de inibir o processo de inflamação das células. Com isso, os cientistas levantaram a hipótese de que ele poderia servir para o tratamento da Covid-19, inibindo as “tempestades de citocinas” – processo inflamatório descontrolado que leva à piora do quadro dos pacientes da Covid.

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Como foi feito o estudo

Cerca de 1.500 pacientes com diagnóstico positivo para a Covid-19 e pelo menos um fator de alto risco à infecção – como obesidade e hipertensão arterial – participaram da pesquisa feita em 11 cidades de Minas Gerais. Eles tinham idade média de 50 anos.

Como o estudo teve início em janeiro deste ano, quando o vacinação ainda iniciava no país, os cientistas priorizaram voluntários que ainda não tinham sido vacinados.

Os pacientes foram divididos em dois grupos: 741 receberam o tratamento com fluvoxamina e 756, um placebo por dez dias. Entre os do primeiro grupo, 79 precisaram de tratamento médico por mais de seis horas no pronto-socorro ou foram hospitalizados. No grupo controle, a incidência subiu para 119.

A mortalidade caiu entre as pessoas que tomaram ao menos 80% das doses da medicação, com um óbito no grupo da fluvoxamina e 12 mortes no grupo controle.

Medicamento acessível

Uma das maiores vantagens do uso do remédio, segundo os pesquisadores, é o preço. No tratamento proposto pelos cientistas, os pacientes receberam duas doses de 100 mg duas vezes ao dia, durante dez dias. Essa abordagem gera um custo médio de R$ 100.

Os cientistas envolvidos na pesquisa alertam que mais estudos precisam ser feitos para estabelecer a dosagem ideal para o tratamento, o tempo de uso de medicamento e o perfil dos pacientes que poderão se beneficiar.

A fluvoxamina é uma medicação que deve ser tomada com prescrição e acompanhamento médico. Ela pode causar alguns efeitos colaterais como alteração do paladar, enjoo, vômito, má digestão, boca seca, cansaço, perda de apetite, emagrecimento, insônia, sonolência, tremores, dor de cabeça, alterações menstruais, erupção na pele, flatulência, nervosismo, agitação, ejaculação anormal, diminuição do desejo sexual.

É geralmente contraindicada para crianças, gestantes ou mulheres em amamentação ou para pessoas que já usam antidepressivos da classe IMAO, devido à interação dos componentes das fórmulas. (Com informações do portal Tua Saúde)

 

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