Exame de sangue pode detectar Alzheimer até 20 anos antes dos sintomas

Estudo liderado pela Universidade de Lund, na Suécia, identificou biomarcador capaz de indicar pacientes que serão acometidos pela doença

atualizado 29/07/2020 13:22

Uma proteína capaz de ser identificada no sangue consegue detectar a doença de Alzheimer até 20 anos antes dos sinais iniciais, afirma uma pesquisa publicada na revista JAMA, nessa terça-feira (28/7). O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia.

A princípio, eles queriam responder se o índice de fosfo-tau217 seria capaz de diferenciar o Alzheimer de outras doenças neurodegenerativas. Já era conhecido que os níveis da fosfo-tau217 aumentam cerca de sete vezes em caso de Alzheimer e, em indivíduos com o gene que causa a doença, a taxa começa a subir 20 anos antes do início do comprometimento cognitivo.

O estudo incluiu 1.402 pacientes divididos em três grupos e concluiu que o biomarcador (proteína fosfo-tau2017) é uma forma eficiente para realizar o diagnóstico. O achado é importante para o tratamento dos pacientes, pois os sinais da doença podem ser identificados mais cedo.

Durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer em Chicago, também nessa terça, a cientista e porta-voz da Associação de Alzheimer dos EUA, Maria Carrillo, comemorou o resultado: “Existe uma necessidade urgente de ferramentas que sejam simples, de baixo custo e não invasivas para o diagnóstico da doença. A possibilidade de uma detecção precoce, que permita intervir com tratamento antes que a doença cause perdas significativas no cérebro, seria uma grande mudança para os pacientes, as famílias e nosso sistema de saúde.”

Estudo anterior

O achado publicado na revista JAMA dessa terça-feira é mais um que sugere exames de sangue para antecipar diagnósticos de Alzheimer. Em 2019, pesquisadores da Universidade de Washington se basearam no mesmo conceito, mas com uma proteína diferente: a beta-amiloide.

Na ocasião, os cientistas realizaram testes em 158 pessoas com mais de 50 anos e funções cognitivas normais: o exame alcançou 94% de precisão.

 

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