Estudo relata caso de mulher curada de HIV sem tratamento médico

Médicos contam que argentina de 30 anos pode ter se curado após ação do próprio sistema imunológico contra o vírus

Um caso raro de cura do HIV foi relatado nesta terça-feira (16/11) por pesquisadores argentinos e americanos, na revista científica Anais de Medicina Interna. De acordo com os cientistas, uma mulher de 30 anos, moradora da cidade de Esperanza, na Argentina, pode ser a segunda pessoa a conseguir eliminar o vírus do corpo sem tratamento, apenas com a ação do próprio sistema imunológico.

Esperança, como ficou conhecida entre os médicos, foi diagnosticada com HIV em 2013, segundo divulgou o jornal O Globo. Ao analisar os exames de sangue feitos por ela entre 2017 e 2020, e o tecido placentário da moça após ela ter um bebê em março do ano passado, os cientistas relataram não ter encontrado o vírus do HIV com genoma intacto, um fator importante para a replicação viral.

Com isso, eles concluíram que a mulher pode ter alcançado naturalmente a cura esterilizante, quando não há vírus circulante e a eliminação dos reservatórios virais acontece mesmo sem a intervenção de terapias antirretrovirais.

Os cientistas não souberam explicar o que levou à cura espontânea, mas acreditam que o organismo da paciente tenha feito uma combinação natural de diferentes mecanismos imunológicos, que incluem as células T citotóxicas e o sistema imune inato, levando à interrupção da replicação viral.

Controladores de elite

Casos como o de Esperança ainda são raros na medicina. As pessoas que conseguem interromper a replicação viral sem medicamentos são conhecidas como “controladores de elite”.

Em agosto de 2020, a americana Loreen Willenberg, de 66 anos, foi a primeira pessoa na história a ser considerada curada do HIV sem ter passado por qualquer tratamento médico. Loreen foi infectada em 1992 e está há anos sem resultados positivos para o vírus.