Estudantes da UnB criam braço robótico para auxiliar médicos

Grupo formado por quatro estudantes de Engenharia conseguiu finalizar protótipo de uma ferramenta muito útil para cirurgias laparoscópicas

atualizado 29/11/2019 21:27

Robôs auxiliando equipes médicas em cirurgias são realidade há anos por todo o mundo. No entanto, no Brasil, o custo desses equipamentos, ainda importados de outros países, pode ser um empecilho para o sistema público de saúde.

A laparoscopia é usada em cirurgias abdominais, bariátricas, de retiradas de vesícula. O procedimento é minimamente invasivo. São feitos três furos no paciente, dois deles são utilizados para inserir uma pinça e o terceiro para introduzir uma câmera.

Atualmente, são necessários dois médicos para efetuar a cirurgia laparoscópica: um realiza a intervenção, olhando na tela, e o outro é responsável por manipular o endoscópio, câmera introduzida na região abdominal durante o procedimento.

Há três anos, o Ministério da Saúde procurou a Universidade de Brasília (UnB) pedindo que fosse criado um equipamento que facilitasse esse tipo de procedimento. No Projeto de Iniciação Científica (Pibic), da UnB, diversos professores, mestres, doutores e estudantes trabalharam para criar o braço robótico, mas o protótipo acabou engavetado e nunca saiu do campus para ser comercializado.

Foi então que quatro estudantes dos cursos de Engenharia de Redes de Comunicação e Elétrica, com idades entre 23 e 25 anos, foram provocados para dar continuidade à ideia. Desta vez, com a ajuda do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UnB (CDT).

0

Em 2018, Fernanda Melo, Caio Carvalho, Pedro Henrique Costa e João Menezes criaram um empresa de desenvolvimento de soluções de tecnologia da informação e robótica, a Beep Solution. Após a finalização do primeiro protótipo, Fernanda viu a possibilidade de levar o braço robótico, batizado de CLARA (Combined Laparoscopic Robotic Arm) ao mercado, em formato de startup. Foi assim que os estudantes foram selecionados e fazem parte do programa Academic Working Capital (AWC), realizado pelo Instituto TIM.

“O braço mecânico permitirá que os profissionais sejam melhor aproveitados durante o procedimento, pois não haverá necessidade de passar horas segurando a câmera. A solução trará conforto para os médicos.”, explica.

O CLARA
E afinal, o que o CLARA faz? O braço robótico pode ser controlado pelo cirurgião responsável por segurar e manipular automaticamente o endoscópio utilizado durante a cirurgia. Segundo Fernanda, uma das vantagens é permitir que o médico auxiliar desempenhe outras funções em vez de segurar por várias horas a câmera – o que além de exaustivo, também pode interferir na precisão do procedimento.

Os estudantes da UnB firmaram parceria com um médico que fornece treinamentos de laparoscopia para que o braço robótico comece a ser testado. Nesta semana, o CLARA foi levado para um centro cirúrgico do Hospital Universitário de Brasília (HUB) para ensaios de como a ferramenta funcionaria apoiada.

Os alunos inovadores já ganharam o prêmio de melhor projeto de iniciação científica da área biomédica no Brasil e agora buscam parcerias e investimento para melhorias. A oportunidade pode aparecer no próximo dia 18 de dezembro, quando, juntamente com outras startups, eles apresentarão o protótipo em uma feira de negócios em São Paulo.

Últimas notícias