Entenda como é possível existirem gêmeos semi-idênticos

Os irmãos possuem 4 anos, vivem na Austrália e estão no meio do caminho entre gêmeos univitelinos e bivitelinos

atualizado 06/03/2019 22:02

Avril Morgan, Istock

Um menino e uma menina que têm 4 anos são o segundo caso registrado de gêmeos semi-idênticos no mundo. Os dois possuem a mesma carga genética por parte de mãe, mas compartilham apenas uma parte do DNA do pai. Nesse caso específico, acredita-se que o óvulo tenha sido fecundado simultaneamente por dois espermatozoides antes de ser dividido.

Há três tipos de gravidez de gêmeos: os fraternos ou bivitelinos, quando dois espermatozoides fecundam dois óvulos diferentes que se desenvolvem no útero ao mesmo tempo; os idênticos ou univitelinos, quando um único espermatozoide fecunda um óvulo e lá dentro se divide em dois bebês com DNA igual; e, por fim, os gêmeos semi-idênticos, que podem não ser do mesmo sexo e se parecem tanto quanto qualquer irmão ou irmã, apesar de terem nascido de um único óvulo.

Casos de gêmeos semi-idênticos são raríssimos na medicina porque embriões deste tipo geralmente não sobrevivem. Quando um óvulo é fecundado por dois espermatozoides, são formados três conjuntos de cromossomos (um da mãe e dois do pai), em vez de dois, e a gravidez não costuma se concretizar.

A descoberta dos gêmeos semi-idênticos australianos foi feita em 2014. O anúncio sobre a existência deles, entretanto, foi publicado recentemente na revista científica The New England Journal of Medicine. O professor Nicholas Fisk liderou a equipe que cuidou da mãe, que na época tinha 28 anos, e dos gêmeos no Royal Brisbane and Women’s Hospital.

No caso deles, a primeira ultrassonografia, com seis semanas (pouco mais de um mês de gestação), mostrou que a mãe estava esperando gêmeos idênticos. Com 14 semanas (3 meses), o exame revelou que os gêmeos eram do sexo masculino e feminino, o que intrigou a equipe médica. Para coletar mais informações, eles começaram a acompanhar a gestação também com interesse científico.

De acordo com os pesquisadores, o primeiro registro de gêmeos semi-idênticos foi em 2007 nos EUA. A equipe examinou dados genéticos de 968 gêmeos fraternos, assim como outros estudos globais, mas não encontrou nenhum outro caso de gêmeos semi-idênticos. (Com informações da BBC Brasil)

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