Devo me vacinar caso imunizantes não protejam contra a Ômicron?

Vice-presidente da SBIm, Isabella Ballalai, chama a atenção para a necessidade da segunda dose e do reforço da imunização

atualizado 01/12/2021 11:22

Vacina idososRafaela Felicciano/Metrópoles

Desde que os primeiros casos de Covid-19 relacionados à variante Ômicron foram notificados por cientistas sul-africanos, na última quarta-feira (24/11), pesquisadores voltaram seus esforços para tentar compreender as características da cepa que, rapidamente, se espalhou por vários países.

Uma das principais perguntas a serem respondidas é se as vacinas em uso vão garantir a proteção também contra a nova linhagem do vírus, uma vez que os primeiros estudos mostram que ela tem mais do que o dobro de mutações encontradas na variante Delta.

Nessa terça-feira (30/11), o CEO da Moderna, Stéphane Bancel, afirmou que as vacinas provavelmente não serão tão eficazes contra a nova variante como foram anteriormente. No entanto, os resultados dos testes laboratoriais das farmacêuticas só devem ficar prontos dentro de duas a três semanas.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, acredita que, mesmo que fique comprovado que a nova variante reduz a proteção das pessoas vacinadas contra a infecção, é provável que seja mantida uma eficácia em relação a casos graves, hospitalizações e mortes, baseada na proteção geral das vacinas. Mas é fundamental que a população garanta o esquema vacinal completo para diminuir os riscos.

Além disso, é preciso levar em consideração que o país ainda tem grande circulação das variantes Gama e Delta do novo coronavírus, e que as vacinas garantem proteção contra as duas.

“Essas perguntas também foram feitas com a P.1 (Gama) e a Delta. É bom que as pessoas entendam que na Covid é um dia depois do outro. Precisamos nos preocupar em manter o país com baixo número de mortes com as cepas que circulam entre nós e entender como a nova cepa vai ser disseminada no mundo e como a sua presença afeta as vacinas”, afirma Ballalai.

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Testes em andamento

A Pfizer e a AstraZeneca já iniciaram testes em laboratório para verificar se suas fórmulas são eficazes também contra a Ômicron.

Nessa terça-feira (30/11), cientistas da Universidade de Oxford, parceira da AstraZeneca, e da BioNTech, associada à Pfizer, informaram que, provavelmente, suas vacinas garantem a proteção ao menos em casos graves da doença.

“Apesar do aparecimento de novas variantes no ano passado, as vacinas continuaram a fornecer níveis muito altos de proteção contra doenças graves e não há evidências até agora de que com a Ômicron seja diferente”, afirmou a equipe da Universidade de Oxford por meio de um comunicado enviado à imprensa. A universidade também garantiu possuir “as ferramentas e os processos necessários para o rápido desenvolvimento de uma vacina Covid-19 atualizada, se for necessário”.

O CEO e cofundador da BioNTech, Ugur Sahin, também demonstrou confiança no imunizante da Pfizer. Segundo ele, não há motivo para uma preocupação especial. “A única coisa que me preocupa no momento é o fato de que há pessoas que não foram vacinadas”, disse Sahin, em entrevista à agência Reuters.

Meta de imunização

O Brasil tem, atualmente, 62,44% da população totalmente vacinada contra a Covid-19 e 74,46% com a primeira dose.

Para que a pandemia seja considerada controlada e o país possa enfrentar o surgimento de novas variantes com mais tranquilidade, é necessário atingir a meta de 90% de todos os brasileiros – incluindo as crianças, que ainda não estão no Programa Nacional de Imunização (PNI) – com as duas doses e aplicar a dose de reforço nos mais vulneráveis.

“Com 70% já é uma taxa que permite ver resultados na prática, como a diminuição de óbitos. É essa maré de calmaria que estamos vendo hoje, mas a meta é chegar a 90%”, explica Isabella. “As pessoas que ainda não tomaram a segunda dose precisam receber urgentemente para que a gente não sofra um retrocesso. Não dá para achar agora que não vale a pena se vacinar. Vale muito a pena”, completou.

 

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