Covid: Ômicron é 75% menos letal do que variante Delta, mostra estudo

Levantamento feito na Coreia do Sul analisou dados de 67.200 infecções desde dezembro. Mais da metade das mortes foram de não vacinados

Um estudo da Agência de Controle e Prevenção de Doenças da Coréia (KDCA, na sigla em inglês), divulgado na segunda-feira (21/2), mostra novas evidências de que a variante Ômicron do coronavírus é menos letal do que a Delta.

Ao analisar dados de aproximadamente 67.200 infecções locais confirmadas desde dezembro, as autoridades sul-coreanas concluíram que as pessoas infectadas com a Ômicron têm 75% menos chances de desenvolver quadro grave de Covid-19 com hospitalização ou morrer pela doença do que as que tiveram contato com a Delta.

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Desde o início da pandemia, dezenas de cepas da Covid-19 surgiram pelo mundo. No entanto, algumas chamam mais atenção de especialistas: as classificadas como de preocupação e as de interesse
De acordo com a OMS, variantes consideradas de preocupação são aquelas que possuem aumento da transmissibilidade e da virulência, mudança na apresentação clínica da doença ou diminuição da eficácia de vacinas e terapias disponíveis
Já as variantes de interesse apresentam mutações que alteram o fenótipo do vírus e, assim, causam transmissões comunitárias, detectadas em vários países
Apesar da alta taxa de transmissão, a Ômicron possui sintomas menos agressivos que o coronavírus
Em setembro de 2020, a variante Alfa foi identificada pela primeira vez no Reino Unido. Ela possui alta taxa de transmissão e já foi localizada em mais de 80 países. Apesar de ser considerada como de preocupação, as vacinas em uso são extremamente eficazes contra ela
Com mutações resistentes, a variante Beta também foi classificada como de preocupação pela OMS. Identificada pela primeira vez na África do Sul, ela possui alto poder de transmissão, consegue reinfectar pessoas que se recuperaram da Covid-19, incluindo já vacinadas, e está presente em mais de 90 países
A variante Gama foi identificada pela primeira vez no Brasil e também é considerada de preocupação. Ela possui mais de 30 mutações e consegue escapar das respostas imunológicas induzidas por imunizantes. Apesar disso, estudos comprovam que vacinas disponíveis oferecem proteção
A variante Delta era considerada a mais transmissível antes da Ômicron. Identificada pela primeira vez na Índia, essa variante está presente em mais de 80 países e é classificada pela OMS como de preocupação. Especialistas acreditam que a Delta pode causar sintomas mais severos do que as demais
Detectada pela primeira vez na África do Sul, a variante Ômicron também foi classificada pela OMS como de preocupação. Isso porque a alteração apresenta cerca de 50 mutações, número superior ao das demais variantes, é mais resistente às vacinas e se espalha facilidade
Classificada pela OMS como variante de interesse, a Mu foi identificada pela primeira vez na Colômbia e relatada em ao menos 40 países. Apesar de ter domínio baixo quando comparada às demais cepas, a Mu tem maior prevalência na Colômbia e no Equador
Apesar de apresentar diversas mutações que a tornam mais transmissível, a variante Lambda é menos severa do que a Delta, e é classificada pela OMS como de interesse. Ela foi identificada pela primeira vez no Peru
Localizada nos Estados Unidos, a variante Épsilon é considerada de interesse pela OMS. Isso porque a cepa possui a capacidade de comprometer tanto a proteção adquirida por meio de vacinas quanto a resistência adquirida por meio da infecção pelo vírus
As variantes Zeta, identificada no Brasil; Teta, relatada nas Filipinas; Capa, localizada na índia; Lota, identificada nos Estados Unidos; e Eta não são mais consideradas de interesse pela OMS. Essas cepas fazem parte do grupo de variantes sob monitoramento, que apresentam risco menor

As taxas de gravidade e mortalidade da variante mais recente foram de 0,38% e 0,18%, respectivamente. Para a Delta, os indicadores sobem para 1,4% e 0,7%.

Os pesquisadores apontaram que cerca de 56% das 1.073 pessoas que morreram nas últimas cinco semanas não foram vacinadas ou receberam apenas uma dose dos imunizantes.

A Coreia do Sul se destacou do restante do mundo como um exemplo de país que conseguiu controlar o número de novos casos e mortes nos dois primeiros anos da pandemia com medidas restritivas rigorosas e testagem em massa.

As restrições foram afrouxadas recentemente após o avanço da vacinação. Atualmente, 85,6% da população está totalmente vacinada com duas doses e 59,1% já recebeu o reforço, segundo dados do monitoramento Our World In Data, ligado à Universidade de Oxford. (Com informações da Agência Reuters)