Covid: HUB desenvolve técnica rápida para identificação de variantes

Pesquisadores do Hospital Universitário criaram um método mais simples para detectar as mutações do coronavírus

Pesquisadores do Laboratório de Diagnóstico Molecular do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) desenvolveram uma nova tecnologia que permite identificar o tipo de variante presente em amostras de exames de Covid-19.

O teste é capaz de identificar e distinguir o conjunto de mutações presentes nas variantes Alfa, Gama (P1) e Delta. “Facilitar a identificação das variantes de Covid-19 pode trazer grande impacto no entendimento do comportamento da doença e no planejamento de ações para sua prevenção”, afirma o diretor de Ensino, Pesquisa e Atenção à Saúde da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Giuseppe Cesare Gatto.

A técnica, em teste desde maio deste ano, já foi usada na genotipagem de 811 amostras coletadas no Distrito Federal com resultado positivo para o novo coronavírus. “Esse trabalho fortalece o compromisso do HUB com a pesquisa, oferecendo novas tecnologias que possam responder perguntas importantes para o hospital e para a sociedade”, afirma Rodrigo Haddad, chefe da Divisão de Apoio Diagnóstico e Terapêutico do HUB.

Detecção de variantes

O método mais comum para a identificação de variantes é baseado no sequenciamento genômico, um processo mais caro, demorado e que demanda maior estrutura de equipamentos e pessoal.

A tecnologia criada no HUB se baseia na genotipagem por RT-PCR. Os pesquisadores estimam um custo até 90% menor, com resultado entregue em duas horas e meia.

“Com essas facilidades, conseguimos analisar uma quantidade maior de amostras, o que é essencial para o acompanhamento da predominância das variantes e para fins epidemiológicos”, explica Alex Pereira, professor da FCE-UnB e coordenador do estudo.

Predominância da Delta

Durante o estudo com o novo teste, os pesquisadores analisaram 811 amostras que passaram pelo teste de genotipagem, 264 deles eram de profissionais do HUB ou pacientes do hospital e 547, de moradores da Estrutural.

Os resultados mostraram o crescimento expressivo dos casos relacionados à variante Delta na região administrativa do DF. Em julho, 79% dos casos eram relacionados à variante Gama (P1), identificado pela primeira vez no Amazonas.

A variante Delta começou a surgir em agosto e já no final do mesmo mês representava 56% dos casos da Estrutural. Em setembro, ela foi responsável por 88% das infecções, enquanto a Gama (P1) foi identificada em apenas 2% das amostras, mostrando que a cepa encontrada pela primeira vez na Índia predominou.