Covid: Hong Kong ameaça quem tentar impedir execução de hamsters

O governo de Hong Kong ordenou que mais de 2 mil hamsters fossem sacrificados "humanitariamente" como estratégia para conter a Covid-19

atualizado 21/01/2022 13:28

HamsterGetty Images

Após o governo de Hong Kong, na China, ordenar que mais de 2 mil hamsters fossem sacrificados “humanitariamente” como estratégia para conter a Covid-19 na região, as autoridades ameaçam moradores que tentarem impedir o abate. Os policiais afirmam que vão agir contra aqueles que buscam convencer a população a não entregarem seus hamsters para execução e os que estão se oferecendo para adotá-los.

Na última terça-feira (18/1), foram identificados em um pet shop de Hong Kong 11 roedores e um funcionário com a variante Delta do coronavírus. Logo após a descoberta, as autoridades determinaram que milhares de hamsters fossem abatidos. Rapidamente, a população se comoveu por meio de protestos públicos e mais de 3 mil pessoas se disponibilizaram para resgatar os animais indesejados.

O Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação (AFCD) garante que qualquer esforço para tentar salvar os hamsters será resolvido, mesmo que isso signifique recorrer à lei. A ordem de abate reforça a abordagem de tolerância zero do continente em relação ao vírus, tentando exterminar o surto internamente e mantendo rigidamente o controle de fronteira com o mundo exterior.

“Se as pessoas envolvidas continuarem com tal ação ou não devolverem os hamsters, o AFCD fará um acompanhamento rigoroso e os entregará à polícia”, disse o departamento à imprensa local.

O governo disse que os animais estão sendo sacrificados humanamente e pediu a todos os setores da sociedade se unam para combater a propagação da Covid-19. Assim que foi dada a ordem, profissionais de saúde em trajes de proteção foram vistos saindo de pet shops pela cidade carregando sacolas plásticas vermelhas em suas vans.

População dividida

Os morados de Hong Kong estão divididos diante da nova regra. A emissora pública da região disse que alguns donos de hamsters foram vistos, nessa quarta-feira (19/1), entregando seus animais em uma instalação do governo nos Novos Territórios, enquanto outros moradores se uniam nas redes socais para encontrar novos donos para os ratinhos.

A Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra Animais (SPCA) da região, que administra clínicas veterinárias, disse à imprensa que muitos donos de animais preocupados estão entrando em contato com eles para obter conselhos.

“Pedimos que não entrem em pânico ou abandonem seus animais de estimação”, disse a SPCA em comunicado.

A organização listou maneiras de manter uma higiene pessoal rigorosa para a segurança de humanos e animais, incluindo nunca beijar, tossir ou cheirar animais de estimação, além de lavar as mãos após manuseá-los.

Autoridades

O diretor do departamento, Leung Siu-fai Leung, confirma que 2 mil hamsters em 34 pet shops e instalações de armazenamento serão sacrificados, pois é impossível colocar todos em quarentena e observar cada um.

“Qualquer pessoa que comprou um hamster depois de 22 de dezembro de 2021 deve entregá-lo às autoridades para abate e não deixá-lo nas ruas”, declarou Leung à imprensa local.

Os especialistas da cidade afirmam que não há evidências de que os pets transmitam o coronavírus para humanos — mesmo assim, foi estabelecida a rigorosa medida de precaução. Clientes que compraram os roedores na loja afetada serão rastreados e estarão sujeitos a uma quarentena obrigatória.

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