Covid-19: quantidade de vírus tem relação com gravidade da doença

De acordo com especialistas, pacientes que foram contaminados diretamente por um caso confirmado têm quadros mais graves

Em mais um argumento a favor do isolamento social, pesquisadores da Imperial College London afirmam que a quantidade de coronavírus à qual um paciente é exposto ao se infectar faz toda a diferença no desenvolvimento da doença.

Em entrevista ao Daily Mail, a professora Wendy Barcley explica que vírus respiratórios, em geral, se comportam desta maneira: pegar o vírus tendo contato com uma pessoa contaminada transmitiria uma quantidade de micro-organismos muito grande, pegando o sistema imunológico de surpresa. Em contrapartida, encostar em uma maçaneta com o vírus ou um botão de elevador transportaria uma carga menor, se traduzindo em uma infecção mais leve.

“É sobre o tamanho do exército de cada lado da batalha. Um grupo muito grande de vírus dificulta a ação dos soldados do sistema imune”, diz a especialista em doenças infecciosas. Segundo ela, os vírus se multiplicam rapidamente e, por isso, demora tanto tempo para o corpo combatê-los.

O médico Michael Skinner, também do Imperial College, explica que a preocupação é maior em situações onde se pode perceber uma grande carga viral.

“Não temos informações sobre o quão grande deve ser essa dose de vírus, mas fluídos corporais de pessoas infectadas podem conter de um milhão a 100 milhões de vírus por mililitro”, afirma.

Os especialistas explicam que, uma vez com a doença, provavelmente não há um aumento na carga viral caso haja contato com outras pessoas infectadas nem uma soma de pequenas partes de vírus que se juntem para adoecer o paciente.