Média de mortes de gestantes e puérperas por Covid-19 dobrou em 2021

Levantamento aponta que falta de acesso a UTIs e procedimentos como intubação alavancaram taxa de mortes entre os dois grupos

atualizado 15/04/2021 15:09

gestante grávida covid máscara coronavírusGetty Images

A média semanal de mortes entre mulheres grávidas e puérperas (fase pós-parto também conhecida como resguardo) com Covid-19 em 2021 já é mais que o dobro da registrada no ano passado. De acordo com dados Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), em 2021, esta taxa foi de 10,4 óbitos (449 mortes em 43 semanas de pandemia), contra uma média de 22,2 óbitos (289 mortes) nas primeiras semanas deste ano.

A falta de acesso a tratamentos adequados para o coronavírus é apontado como uma das principais causas do crescimento de mortes entre estes grupos. Desde o início da pandemia, de acordo com os pesquisadores, uma em cada cinco gestantes e puérperas internadas com Sars-Cov-2 (22,6%) não tiveram acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e cerca de 34% não foram intubadas.

Entre março de 2020 e 7 de abril de 2021, data da mais recente atualização de estatísticas do Ministério da Saúde, foram registrados 9.479 casos de internações por Covid com 738 óbitos (7,78%) entre grávidas e puérperas. Há, ainda, 9.784 de registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com 250 mortes, situações que, na avaliação dos pesquisadores, podem ser também episódios de Sars-Cov-2.

O levantamento, criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), tem como objetivo dar visibilidade aos dados desse público específico e oferecer ferramentas para análise e fundamentação de políticas para atenção à saúde de gestantes e puérperas em relação ao novo coronavírus.

O OOBr Covid-19 reúne informações de bases públicas, que incluem o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep Grip) e sistemas de nascidos vivos e de mortalidade materna.

Algumas pesquisas mostram que as gestantes são mais propensas a desenvolverem quadros mais graves de Covid-19. Para orientar mulheres que estão planejando engravidar, grávidas e puérperas, o Ministério da Saúde criou o Manual de Recomendações para a Assistência à Puérpera Frente à Pandemia de Covid-19.

Em regra, os testes de vacina não são autorizados para mulheres grávidas. Por isso, elas estão fora dos grupos prioritários para imunização.

Veja como o coronavírus ataca o corpo:

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