Coronavírus: Saúde recomenda evitar velório, viagem e até cinema

Lista de recomendações foi divulgada pelo nesta sexta-feira (13/03). Medidas são mais restritivas para áreas de transmissão comunitária

Com o aumento no número de casos confirmados e a notícia de que já se tem transmissão comunitária no Rio de Janeiro e em São Paulo, o Ministério da Saúde apresentou, nesta sexta-feira (13/03), uma detalhada lista de recomendações aos gestores públicos e à população.

De evitar concentração em velórios até o cancelamento de cruzeiros, a lista passa pela “cotovelada”, uma opção de cumprimento para escapar dos tradicionais beijinhos. O conjunto de orientações deve ser seguido para evitar o avanço do novo coronavírus em território nacional.

O Ministério da Saúde reforça que as medidas coletivas devem ser adaptadas pelos gestores locais, de acordo com a realidade de disseminação da doença enfrentada em cada uma das cidades — os estados do Norte do país, por exemplo, onde não há casos confirmados, podem adotar a versão mais branda das recomendações.

Atualmente, a maioria dos casos de coronavírus em território nacional é importada: os pacientes foram infectados em áreas onde o vírus está em circulação. Há ainda 15 casos de transmissão local, onde o paciente teve contato com um caso confirmado e foi infectado, e quatro de transmissão comunitária, quando não se sabe como a pessoa contraiu o vírus.

No entanto, é esperado que a velocidade de contágio aumente a partir de 20/03, com a chegada do outono. “A estimativa é que a cada três dias o número de casos dobre sem a adoção das medidas propostas”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.

“Essas medidas são recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foram – e estão – sendo utilizadas nos países em que se encontram em surto para diminuir a transmissão dos vírus. O que não queremos é chegar ao nível da Itália. Por isso precisamos nos antecipar”, explicou o secretário.

As medidas estão divididas em gerais, para áreas onde há transmissão local e para áreas onde há transmissão sustentada:

Medidas gerais

  • Casos suspeitos devem manter isolamento domiciliar ou hospitalar por até 14 dias;
  • Em caso de sintomas leves da doença, o cidadão deve buscar atendimento em postos de saúde, evitando ir a hospitais;
  • Doentes, pessoas que têm contato com eles e profissionais de saúde devem usar máscaras;
  • Viajantes que chegarem de destinos internacionais devem manter isolamento voluntário de sete dias a partir da data de desembarque;
  • No caso de apresentarem febre e tosse ou falta de ar, os viajantes internacionais devem procurar postos de saúde;
  • Serviços de saúde devem planejar a ampliação de equipes com estagiários, estudantes e aposentados;
  • Medicamentos de uso contínuo devem ser prescritos com validade ampliada para diminuir a ida a unidades de saúde e farmácias;
  • Eventos de massa – governamentais, esportivos, artísticos, culturais, políticos, científicos, comerciais e religiosos – devem ser cancelados ou adiados. Não sendo possível tomar estas medidas, a recomendação é que o evento ocorra sem público;
  • Cruzeiros turísticos devem ser adiados;
  • Órgãos públicos e empresas devem disponibilizar locais para lavar as mãos com frequência, dispenser com álcool em gel na concentração de 70% e toalhas de papel descartável;
  • Órgãos públicos e empresas também devem ampliar a frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros com álcool 70% ou solução de água sanitária;
  • Em caso de óbito por coronavírus: os serviços públicos devem providenciar emissão rápida de atestado de óbito e o velório deve ocorrer sem concentração de pessoas.

Medidas para cidades onde há transmissão local

  • Além de todas as anteriores, idosos e doentes crônicos devem restringir o contato social: evitando viagens, cinema, shoppings, shows e locais com aglomeração nas cidades;
  • Também é recomendado que vacinem-se contra influenza

Medidas onde há transmissão sustentada

  • Devem ser estimuladas reuniões virtuais e trabalho remoto (home office);
  • Viagens não essenciais devem ser canceladas;
  • Horários alternativos de trabalho devem ser criados para reduzir o fluxo urbano;
  • Escolas devem planejar o uso de ferramentas de ensino à  distância ou a antecipação de férias,
  • Unidades de terapia intensiva devem ser monitoradas diariamente do número de admissões e altas relacionadas ao COVID-19;
  • Em caso de ocupação de 80% dos leitos de UTI disponíveis para a resposta ao COVID-19, deve ser declarada a quarentena.