Caso Whindersson Nunes: qual a diferença entre tristeza e depressão?

Após o humorista se declarar infeliz há anos, o assunto voltou à pauta e especialistas alertam sobre as duas condições

Whindersson NunesReprodução/Instagram

atualizado 20/04/2019 19:17

Na última semana, o humorista Whindersson Nunes sensibilizou o Brasil após abrir o coração em uma série de tuítes. O piauiense declarou que, apesar das coisas boas de sua vida, ele se sente triste e não tem mais vontade de viver. As declarações preocuparam fãs e trouxeram a depressão de volta à pauta no país.

Especialistas pegaram o caso para apontar a diferença entre sentimento e doença. Tristeza é normal quando aparece depois de uma situação de desapontamento, de uma lembrança desagradável ou de um término de relacionamento. Deve ser uma situação passageira e não há a necessidade de tratamento.

A depressão, por outro lado, é uma doença que afeta o humor, gerando tristeza profunda, persistente e desproporcional. Normalmente, o desconforto ultrapassa duas semanas e não tem um motivo justificável para acontecer. A condição ainda vem acompanhada de sintomas físicos adicionais, como diminuição da atenção, perda de peso e dificuldade em dormir.

Essas diferenças podem ser sutis e até difíceis de perceber. Caso a tristeza persista por mais de 14 dias, é importante passar por uma avaliação médica para definir se há depressão e começar o tratamento.

Como saber se é tristeza ou depressão
Apesar de compartilharem muitos sintomas semelhantes, a depressão e a tristeza apresentam algumas diferenças que devem ser observadas para uma melhor identificação:

TristezaDepressão
Tem um motivo justificável: a pessoa sabe por que está triste. Pode ser um desapontamento ou um fracasso pessoal, por exemplo.Não tem uma causa para os sintomas. Normalmente, a pessoa não sabe o motivo da tristeza e acredita que tudo está sempre ruim. A tristeza é desproporcional aos acontecimentos.
É temporária e diminui à medida que o tempo passa ou a causa da tristeza se afasta.É persistente, dura a maior parte do dia por, pelo menos, duas semanas.
Há vontade de chorar, sentimento de impotência, desmotivação e angústia.Além dos sintomas de tristeza, há perda do interesse por atividades agradáveis, energia diminuída, além de pensamento suicida, baixa autoestima e sensação de culpa.

 

Depressão devido ao luto
É importante diferenciar a depressão devido a um caso de luto, após perda de algo ou alguém querido. Nessa situação, a tristeza profunda persiste por vários meses, mas tem uma justificativa. Os sentimentos oscilatórios pioram com a lembrança da perda. Apesar de o luto ser uma resposta de adaptação, a pessoa pode não conseguir se recuperar, sendo muito comum que o luto seja persistente e se torne uma depressão: a suspeita, nesses casos, só acontece se o luto ocorreu há mais de um ano.

Como confirmar a depressão
Para estar deprimida, a pessoa deve ter pelo menos dois dos seguintes sintomas de depressão, considerados os principais, durante mais de 14 dias:

  1. Humor deprimido que seja anormal para aquela pessoa, mantido por pelo menos duas semanas, presente durante a maior parte do dia, quase todos os dias, e que não é influenciado pelas circunstâncias;
  2. Perda de interesse ou prazer por atividades que normalmente são agradáveis;
  3. Sensação de fadiga e energia diminuída.

Outros sintomas secundários muito comuns na depressão incluem:

  • Perda da confiança ou autoestima;
  • Sentimentos de culpa excessiva ou autoreprovação;
  • Problemas de sono, principalmente insônia, em que a pessoa acorda no meio da noite e não volta a adormecer, ou sonolência excessiva;
  • Pensamento recorrente de morte ou suicídio ou qualquer comportamento suicida;
  • Diminuição da concentração ou capacidade de pensar, havendo indecisão;
  • Excesso de agitação ou lentificação na realização das atividades;
  • Alteração do apetite, com diminuição ou aumento de peso;
  • Perda do desejo sexual;
  • Depressão pior pela manhã;
  • Perda de peso (5% ou mais do peso corporal no último mês);
  • Irritabilidade e ansiedade excessivas.

O diagnóstico de depressão deve ser feito por um médico, de preferência psiquiatra, ou por um psicólogo. Os profissionais podem classificar a depressão de acordo com a sua gravidade, que varia com a quantidade de sintomas presentes.

Como saber se a depressão é leve, moderada ou grave
A depressão pode ser classificada como:

  • Leve – quando apresenta dois sintomas principais e dois sintomas secundários;
  • Moderada – quando apresenta dois sintomas principais e três ou quatro sintomas secundários;
  • Grave – quando apresenta três sintomas principais e mais de quatro sintomas secundários.

Como é feito o tratamento da depressão
O tratamento para depressão é feito com o uso de medicamentos antidepressivos recomendados pelo psiquiatra e a realização de sessões de psicoterapia, geralmente feitas semanalmente com um psicólogo.

O uso do antidepressivo não causa dependência e deve ser usado enquanto for necessário. Em linhas gerais, seu uso deve persistir por, pelo menos, de seis meses a um ano após a melhora dos sintomas e, se houver um segundo episódio de depressão, recomenda-se usar por, pelo menos, dois anos. Já nos casos graves ou que não melhoram, ou após o terceiro episódio de depressão, deve-se considerar usar um medicamento para a vida inteira, sem maiores complicações devido ao uso prolongado.

No entanto, é preciso levar em consideração que, para melhorar a qualidade de vida do paciente, não basta somente tomar remédios ansiolíticos e antidepressivos: é importante ser acompanhado por um psicólogo. As sessões podem ser realizadas uma vez por semana até que a pessoa fique totalmente curada. Praticar exercícios, encontrar novas atividades e buscar motivações são orientações importantes e que ajudam a sair da depressão.

Com informações do portal Tua Saúde

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