Antibiótico pode ajudar no tratamento de ataques de pânico. Entenda

Pesquisa brasileira mostra que antibiótico teve efeito semelhante ao clonazepam em testes com pacientes e camundongos

atualizado

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1 de 1 Imagem de uma menina triste sentada no sofá cobrindo o rosto. Metrópoles - Foto: bymuratdeniz/Getty Images

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros sugere que pequenas doses de um antibiótico podem ajudar a reduzir ataques de pânico. A pesquisa mostrou que a minociclina apresentou efeito semelhante ao clonazepam, um dos medicamentos mais usados no tratamento do transtorno do pânico.

Os experimentos foram realizados com camundongos na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com pacientes na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os resultados foram publicados na revista Translational Psychiatry em 3 de fevereiro.

Segundo os pesquisadores, a quantidade de minociclina utilizada foi menor do que a empregada no tratamento de infecções bacterianas, o que reduz o risco de estimular resistência aos antibióticos.

“No nosso modelo experimental, os camundongos tratados com minociclina por 14 dias apresentaram redução de uma das respostas típicas do pânico. Em humanos, o tratamento também diminuiu a intensidade das crises provocadas pela inalação de dióxido de carbono”, explica a pesquisadora Beatriz de Oliveira, primeira autora do estudo, em comunicado.

Possível alternativa para pacientes que não respondem a medicamentos

O estudo investigou um mecanismo diferente daquele usado pelos medicamentos mais comuns contra o transtorno do pânico. Enquanto o clonazepam atua em receptores do cérebro ligados ao neurotransmissor GABA, a minociclina parece agir reduzindo processos inflamatórios no sistema nervoso.

“Algumas condições psiquiátricas estão relacionadas à inflamação em células nervosas. Como a minociclina, em baixas doses, tem efeito anti-inflamatório, a melhora nos sintomas provavelmente ocorre pela redução dessa inflamação”, explica a pesquisadora Luciane Gargaglioni, da Unesp.

No estudo com humanos, 49 pacientes com transtorno do pânico participaram dos testes. Eles foram expostos à inalação de ar com alta concentração de dióxido de carbono, técnica utilizada em pesquisas porque provoca sensação de falta de ar semelhante à experimentada durante crises de pânico.

Após sete dias de tratamento com clonazepam ou minociclina, os sintomas foram avaliados por psiquiatras. Os resultados mostraram redução da intensidade das crises nos participantes tratados com o antibiótico.

Análises do sangue também indicaram diminuição de marcadores inflamatórios, o que reforça a hipótese de que a inflamação pode desempenhar um papel importante nesse transtorno.

Apesar dos bons resultados iniciais, os autores destacam que o uso da minociclina para tratar ataques de pânico ainda depende de estudos clínicos maiores. Mesmo assim, os resultados indicam que o medicamento pode se tornar uma alternativa para pacientes que não respondem bem aos tratamentos atuais, grupo que representa cerca de metade dos casos diagnosticados.

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