Roblox exclui jogo que simula ataque a escolas após pedido da polícia

Sala que simulava ações de tráfico de drogas também foi excluída. Especialistas apontam presença de criminosos em plataformas como o Roblox

atualizado

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Thomas Fuller
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1 de 1 Imagem colorida com logo do Roblox - Foto: Thomas Fuller

O jogo Roblox, popular entre as crianças, excluiu, na semana passada, uma sala que simulava ataque a escolas, após pedido do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo. A plataforma também excluiu outro espaço, no qual era possível simular ações de tráfico de drogas.

A informação foi divulgada ao Metrópoles pela delegada Lisandrea Salvariego, chefe do Noad, nesta segunda (27/10). “Pedimos a exclusão, preservação de dados e agora vamos investigar”, disse.

Em nota, a Roblox afirmou que “está profundamente comprometida com a segurança e o bem-estar da nossa comunidade”. “Temos políticas rigorosas que proíbem a representação de eventos sensíveis do mundo real, bens ilegais e regulamentados, e conteúdo que promova o extremismo. Tomamos medidas imediatas quando identificamos conteúdo que viole essas políticas”, disse a plataforma.

Conforme a empresa, “embora nenhum sistema seja perfeito, nossa abordagem inclui múltiplas camadas de proteção: sistemas avançados de detecção por IA, equipes dedicadas que monitoram constantemente possíveis danos críticos 24 horas por dia, 7 dias por semana, ferramentas de denúncia para os usuários e colaboração contínua com autoridades e organizações de segurança”, finalizou o texto.

Criminosos ocupam plataformas gamers

A coluna Fabio Serapião mostrou, anteriormente, neste ano, que criminosos têm explorado plataformas gamers para buscar ou aliciar vítimas. De acordo com a reportagem, a explicação é a presença massiva de crianças e adolescentes nesses ambientes.

Após o primeiro contato, e a criação de uma “relação”, os alvos são geralmente convidados a se deslocarem para outras redes — menores e menos moderadas –, onde o conteúdo violento é intensificado.

Segundo a pesquisadora da radicalização on-line e fundadora do Stop Hate Brasil, Michele Prado, “existem as plataformas chamamos de ‘beacon’, que são os faróis e é onde geralmente eles [os criminosos] vão aliciar e vão recrutar. São aquelas plataformas mais amplas, TikTok, Roblox, Instagram, Steam”, afirma.

A partir desse primeiro contato, criminosos constroem conexões com as vítimas para, eventualmente, poder se aproveitar de uma fragilidade emocional ou introduzi-las a um grupo de cibercriminosos onde é disseminado conteúdo violento ou ilícito.

Os agentes do Noad, que trabalham infiltrados 24h por dia nas plataformas, dizem ser frequente e “muito nítido” crianças e adolescentes sendo aliciados para cometer crimes — que vão desde o cyberbullying, de forma mais frequente, à prática de maus-tratos.

Também são frequentes, especialmente contra meninas, relações que culminam em autolesões, tentativas de suicídio e estupros virtuais, afirmou Lisandrea.

Conteúdos de ódio e relação com ataques a escolas

A exposição frequente a conteúdos de ódio pode ter consequências desastrosas entre crianças e adolescentes, como o Brasil viu em abril de 2023, com a série de ataques à escolas.

“Isso é um problema real, grave, e que precisa também ser considerado. Afinal de contas, ninguém nasce odiando ninguém. As pessoas, se elas aprenderam em algum momento a odiar, é porque alguém ensinou, alguém incentivou”, afirmou o presidente da Safernet Brasil, Thiago Tavares, em entrevista ao Metrópoles.

Conforme o especialista, pessoas em situação de vulnerabilidade e em desenvolvimento, como crianças e adolescentes, são as mais sensíveis a essa exposição.

“Esse conteúdo pode causar dano também por isso, porque ele pode acabar engajando a pessoa, incentivando a pessoa a se engajar numa atividade de autolesão, de reforçar ideação e pensamentos suicidas, e assim por diante”, destacou.

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