“Mentor” de automutilação fez ao menos 30 vítimas de 10 a 15 anos

Luiz Fernando Souza, de 18 anos, estimulava jovens a praticarem automutilação por meio de plataformas como Discord e Telegram

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Reprodução/Polícia Civil
Luiz Fernando Souza, de 18 anos, acusado de estimular automutilação de crianças e adolescentes em canais do Discord e do Telegram. - Metrópoles
1 de 1 Luiz Fernando Souza, de 18 anos, acusado de estimular automutilação de crianças e adolescentes em canais do Discord e do Telegram. - Metrópoles - Foto: Reprodução/Polícia Civil

Ao menos 30 crianças e adolescentes, com idades entre 10 e 15 anos, foram vítimas de Luiz Fernando Souza, de 18 anos, preso nessa sexta (15/12) em Agrolândia, no interior de Santa Catarina. Ele é acusado de estimular jovens a praticarem automutilação por meio do Telegram e do Discord.

A informação foi divulgada ao Metrópoles pela delegada Lisandrea Salvariego, chefe do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo. Ela e o delegado-geral do estado, Artur Dian, foram alvos de ameaças feitas pelo rapaz (veja mais abaixo).

Luiz Fernando foi preso a pedido do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A corte expediu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão no endereço dele após investigadores identificarem os crimes cometidos pelo rapaz, com vítimas também em SP.

Além das vítimas no território paulista, uma busca e apreensão feita há cerca de 15 dias na casa de um suspeito em Pernambuco também levou ao endereço de Luiz. Segundo Lisandrea, a investigação continua.

Modus operandi do “mentor” de automutilação

Conforme a delegada, o modus operandi adotado por Luiz é o mesmo identificado em investigados anteriores. “[A conversa com a vítima] começa no jogo [virtual], num chat ou dentro do próprio jogo, depois migra de aplicativo até chegar na chantagem mesmo, na sextorsão”, descreveu.

Lisandrea chama de “sextorsão” o ato de criar relação com a vítima e solicitar uma foto íntima, geralmente com teor sexual. Com o material em mãos, o autor utiliza a imagem para extorquir o alvo, obrigando a produzir mais conteúdos do tipo ou até mesmo se automutilar – caso contrário, a foto seria vazada.

Suspeitos como Luiz Fernando costumam pedir que as vítimas escrevam, com uma navalha, o nome ou apelido do “mentor” da automutilação no corpo. Além disso, também é comum que os alvos tenham que reproduzir símbolos de ódio na pele, como a suástica nazista.

As vítimas geralmente são meninas, sempre crianças e adolescentes.

Quando foi preso, um investigador questionou Luiz Fernando sobre um vídeo em que uma garota aparece esmurrando o próprio corpo e se autolesionando com o que parece ser uma faca. O policial perguntou ao suspeito quantos anos ela teria, ao que ele respondeu “12 ou 13 anos”. Veja o vídeo:

Acusações

Segundo Lisandrea, Luiz Fernando responde por indução a automutilação e estupro virtual – crimes que motivaram a determinação de prisão temporária. A partir da busca e apreensão feita no endereço dele nessa sexta, o acusado também foi preso em flagrante por armazenar conteúdo pornográfico.

Ele foi autuado em Santa Catarina e permaneceu à disposição da Justiça. De acordo com os crimes dos quais é acusado, Luiz Fernando pode ser condenado a mais de 10 anos de prisão.

Ameaçou delegados de SP

Alvo de uma investigação há quatro meses, Luiz encaminhou e-mails aos delegados Lisandrea e Artur Dian com fotografias dos delegados e suas famílias, como forma de intimidação.

“A mesma coisa que eles fazem com as vítimas, eles fazem com a gente. Só que a gente tem discernimento. Nós somos autoridades, a gente consegue investigar e chegar neles, e as vítimas ficam com medo”, destacou a delegada.

Em um dos casos, o rapaz fez com que uma menina mutilasse o próprio corpo com o nome de Lisandrea. A vítima escreveu “Lisa” com uma navalha no braço. O investigado publicou uma foto do ferimento com a legenda “presentinho pra Lisa kkkkk [sic]”.

Para a delegada, o sentimento despertado ao ver a imagem foi “péssimo”. “Acho que é o pior sentimento que há. Mas é isso que dá força para a gente prosseguir, a gente não pode parar”, declarou.

Delegada indica que pais façam BO

Lisandrea orienta os pais e responsáveis a observarem as crianças e os adolescentes. Se virem algo errado, como uma automutilação ou comportamento estranho, é indicado registrar um boletim de ocorrência (BO).

“Pega o nick [nome de usuário] do agressor, ID e plataforma onde tudo isso aconteceu, e faça um boletim de ocorrência. Porque não é só aquela vítima, né? O agressor faz ao mesmo tempo inúmeras vítimas ao mesmo tempo”, reforçou a delegada.

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