Jornalista tem histórico de ataques homofóbicos, diz segunda vítima

Gustavo Leão contou ao Metrópoles que a jornalista Adriana Ramos é sua vizinha e sempre o xingou quando o via no condomínio que moram em SP

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Adriana Ramos foi flagrada fazendo novo ataque homofóbico em prédio de São Paulo dois dias depois de ter sido presa pelo mesmo motivo - Metrópoles
1 de 1 Adriana Ramos foi flagrada fazendo novo ataque homofóbico em prédio de São Paulo dois dias depois de ter sido presa pelo mesmo motivo - Metrópoles - Foto: Reprodução/ Instagram

O relações públicas Gustavo Leão, de 27 anos, contou que os ataques homofóbicos sofridos na última segunda-feira (16/6), não foram os primeiros episódios de homofobia envolvendo a jornalista Adriana Ramos, no prédio onde moram no bairro Higienópolis, centro de São Paulo.

O profissional de comunicação disse ao Metrópoles que a jornalista é sua vizinha de parede e que ele e os outros dois homens, vítimas das ofensas feitas por ela, já foram alvos em episódios anteriores.

“Não foi a primeira vez que isso aconteceu com a gente. Sempre nos xingou quando passávamos, mas relávamos por se tratar de uma senhora de idade”, contou Gustavo.

Além disso, o rapaz contou que a jornalista também fazia ataques contra os funcionários do condomínio e moradores há dois meses, desde quando Adriana se mudou para o local.

O estopim foi a situação ocorrido na última segunda-feira (16/6). Na ocasião, a jornalista de 61 anos foi flagrada chamando os rapazes de “boiola depilada”, além de gritar repetidas vezes que o homem “dá o cu”.

Veja vídeo:

 

A mulher também diz que o homem que grava o vídeo “não tem pinto”. A vítima ainda publicou nas redes sociais que a jornalista foi levada para o 2° Distrito Policial (Bom Retiro), no centro da capital paulista. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ela foi ouvida e liberada na sequência.

“Não vamos deixar esse crime impune”, diz o posicionamento do rapaz.


Caso de polícia

  • Depois de ser alvo dos xingamentos, Gustavo foi junto com os outros dois rapazes para uma delegacia de polícia militar para registrar o ocorrido, porém não conseguiram prosseguir com a queixa-crime. Por isso, Adriana foi ouvida e liberada.
  • No dia seguinte, os homens foram ao 77° Distrito Policial (Santa Cecília) para dar sequência à denúncia, mas já não havia mais o flagrante da ação.
  • Segundo Gustavo, a mulher será autuada e responderá pelo crime de injúria racial, que inclui casos de homofobia.

Ataque homofóbico em shopping

No último sábado (14/6), a jornalista Adriana Ramos já havia sido flagrada por testemunhas chamando o gerente de projetos Gabriel Galluzzi, de 39 anos, de “bicha nojenta” e “assassino”. As imagens não mostram Gabriel, nem o início da confusão, mas é possível ouvir a jornalista proferir algumas das ofensas citadas.

Veja:

 

Em nota, o Shopping Iguatemi lamentou a ocorrência entre os dois clientes, esclareceu que prestou todo o apoio necessário e disse que seguia à disposição das autoridades competentes.

O empreendimento reforçou que “o respeito à diversidade — em todas as suas formas — é um valor inegociável” e que repudia qualquer ato de discriminação e intolerância.

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A mulher foi presa em flagrante e passou a noite na cadeia, saindo no dia seguinte após audiência de custódia.


O que disse a jornalista

  • Depois de quatro horas na delegacia na noite de sábado, Adriana gravou um vídeo e publicou no próprio perfil nas redes sociais.
  • Na gravação, ela diz que foi agredida por pessoas que estavam ao seu lado que “começaram a escarnecer” da condição física dela.
  • “Me chamaram de velha, me chamaram de doente e riram de mim.”
  • Ela ainda afirma que pediu a conta para ir embora, mas que mesmo assim continuou sendo vítima dos ataques.
  • Adriana se dirige a si mesma como uma pessoa doente, que tem problema físico e que passará por cirurgia, tendo que tomar remédio para dor.
  • A polícia não citou os ataques citados pela mulher na nota para a imprensa.

Ao Metrópoles Gabriel disse que a narrativa da mulher é o contrário do que realmente aconteceu e que só teria chamado Adriana de velha após a mulher proferir as ofensas homofóbicas.

Os dois foram levados ao 14° Distrito Policial (Pinheiros) juntamente com as pessoas que presenciaram o ato. Segundo a SSP, testemunhas confirmaram a versão da vítima.

Jornalista passou noite na cadeia

Adriana Ramos foi solta no domingo (15/6), após passar por audiência de custódia. Ela está em liberdade provisória.

Segundo a decisão judicial, a liberdade está subordinada a algumas medidas cautelares: comparecimento mensal em Juízo para informar e justificar suas atividades, bem como eventual atualização de endereço; a obrigação de manter o endereço atualizado junto à Vara competente (informando imediatamente eventual alteração); a proibição de frequentar o Shopping Iguatemi, local em que ocorreram os fatos e a proibição de ausentar-se da Comarca de residência por mais de oito dias sem prévia comunicação ao Juízo, sob pena de revogação do benefício e imediato recolhimento à prisão.

A vítima, Gabriel Galluzzi, afirmou à reportagem que irá dar sequência ao processo e que aguarda as ações da Justiça.

Quem é a jornalista

Adriana Catarina Ramos de Oliveira tem 61 anos e é mãe de duas filhas.

A comunicadora começou a carreira no rádio, depois foi para a TV, passando pelos departamentos de telejornalismo da Rede Globo, TV Cultura, Record TV, entre outras emissoras. Segundo Adriana, durante quase 10 anos, ela investigou a espiritualidade e sua influência nas pessoas. E também manteve um blog sobre viagens.

Adriana Catarina Ramos de Oliveira é autora de dois livros: “Uma Prova do Céu” e “Cartas Celestes”.

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