Em duelo com Marina, França se adianta e pressiona por chapa ao Senado
Ex-ministro Márcio França busca vaga na chapa lulista em São Paulo e já anunciou ex-prefeito como suplente em candidatura ao Senado
atualizado
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Em meio à disputa no campo da esquerda por uma das vagas ao Senado na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) em São Paulo, o ex-ministro Márcio França (PSB) se antecipou e já anunciou até um nome para a sua suplência de sua pré-candidatura.
Em vídeo postado nas redes sociais, França informou que o ex-prefeito de Barueri Rubens Furlan (PSB) foi escolhido para ser o seu suplente na corrida ao Senado — nas eleições deste ano, cada estado elegerá dois senadores para mandatos de oito anos.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Haddad, que concorrerá novamente ao Governo de São Paulo, afirmam, no entanto, que a chapa ainda não está definida.
A avaliação é que, após ter de recuar da pré-candidatura a governador com a escolha de Haddad como o candidato do grupo, França tenta pressionar por um apoio do PT à sua segunda tentativa de se eleger senador — ele governou o Estado em 2018 e perdeu a reeleição no mesmo ano e a disputa ao Senado em 2022.
“Acho que ele está anunciando que está disponível”, disse ao Metrópoles uma fonte do PSB. “É o jeito Márcio França de ser”, resumiu um petista próximo a Haddad.
Até o momento, o PT sinalizou que apoiará ex-ministra do Planejamento Simone Tebet para uma das candidaturas ao Senado. Para acomodar sua candidatura dentro da coligação, Tebet trocou o MDB, que apoiará a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), pelo PSB.
Disputa com Marina Silva
O outro nome ainda segue em aberto. Além de França, outra cotada é a ex-ministra Marina Silva, que decidiu permanecer na Rede, mesmo diante do racha dentro do partido, para a disputa ao Senado por São Paulo. Marina vinha sendo cortejada por partidos como PSol, PSB e o próprio PT.
De acordo com petistas envolvidos nas conversas, o fato de Marina não integrar um partido com mais representatividade coloca a ex-ministra do Meio Ambiente um pouco atrás da disputa neste momento.
Aliados de Marina também enxergam que a antecipação de Márcio França serve como um movimento de pressão na disputa. Além disso, embora reconheçam que é possível que Haddad apoie dois nomes do PSB ao Senado — Tebet e França —, a avaliação é que a legenda, que também terá Geraldo Alckmin na vice da chapa de Lula à reeleição, pode ter um espaço excessivo na coligação paulista.
“Eu não soube de nenhuma definição da coligação, inclusive outros partidos como o PSol tem pressionado que também tem tamanho para ocuparem uma vaga. O PSol tem seis deputados federais em São Paulo e o PSB tem dois”, ponderou uma deputada do grupo.
Segundo interlocutores da cúpula do PT em São Paulo, nada está descartado e Lula ainda pode envolver promessas de espaço no eventual próximo governo federal, como ministérios, dentro das negociações.
Na semana passada, especulou-se que França poderia permanecer no governo Lula, trocando o Ministério do Empreendedorismo pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandado por Alckmin, como uma compensação por abrir mão da candidatura ao Governo de São Paulo e ao Senado. Mas ele decidiu se descompatiblizar do cargo dentro do prazo exigido por lei para ficar apto a disputar as eleições de outubro.
