PM Gisele: desembargador visitou coronel como amigo, diz polícia
O desembargador foi flagrado encontrando o tenente-coronel na cena do crime antes do local ser periciado. Polícia descarta interferências
atualizado
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O desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan (imagem em destaque), que encontrou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto no apartamento em que Gisele Alves Santana morreu, foi até o local como um amigo, sem indícios de interferência na cena do crime, segundo a Polícia Civil.
No dia 18 de fevereiro, quando Gisele morreu, imagens de câmeras de monitoramento (assista abaixo) flagraram o magistrado caminhando pelo corredor do prédio até encontrar o tenente-coronel. A presença do homem passou a ser investigada após ele aparecer no apartamento antes da perícia.
De acordo com o Delegado Denis Saito, do 8° Distrito Policial (Belenzinho), durante a investigação, o desembargador foi ouvido e prestou os devidos esclarecimentos sobre a sua presença no local. Câmeras corporais de policiais que estavam no endereço também foram analisadas e “não foi detectado qualquer ato de ingerência do mesmo”.
“Em relação ao comportamento do desembargador. Ele foi ouvido, sim. Ele prestou os esclarecimentos. Foi na condição de amigo”, acrescentou Saito.
Na ocasião, o desembargador e o tenente-coronel conversaram rapidamente. Em seguida, caminharam juntos em direção ao apartamento, cujo chão da sala ainda estava tomado pelo sangue de Gisele.
Um documento da Secretaria da Segurança Pública (SSP) obtido pela reportagem revelou que a perícia foi iniciada no apartamento às 13h27 e encerrada às 14h20, quando o local foi “liberado” e a ocorrência encaminhada ao 8º Distrito Policial (Brás), responsável pela investigação.
Tenente-coronel preso acusado de matar esposa PM
O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3), em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior de São Paulo, acusado de matar a esposa, Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça.
Nas imagens, é possível ver o momento em que o tenente-coronel deixa o condomínio sem algema e acompanhado por dois agentes. Ele entra em uma viatura policial e deixa o local. O coronel carrega uma garrafa de água e está vestido com uma blusa preta e calça jeans.
O inquérito policial militar aberto para investigar o caso apura possível prática de feminicídio e fraude processual por parte do coronel Neto. O caso foi tratado inicialmente como suicídio. A prisão preventiva do tenente-coronel foi decretada pela Justiça Militar de São Paulo após um pedido da Polícia Civil.
A prisão foi decretada após o avanço das investigações do 8º Distrito Policial do Brás, que analisou laudos periciais, depoimentos de testemunhas e registros das primeiras horas após o disparo que atingiu a cabeça da PM.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde residia com o marido, no Brás, centro da capital, em 18 de fevereiro. Os investigadores apontam que a dinâmica do caso não é compatível com a versão inicial dada pelo tenente-coronel.
Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel.
- O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18/3).
- Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
O advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, questiona o mandado de prisão expedido pela Justiça Militar, já que, “se houve a imputação de feminicídio e fraude processual, foi no âmbito privado, e não no âmbito da Justiça Militar”.
“Entendo que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo”, argumentou Malavasi.



















