Delegada de SP é alvo de injúria após postar foto anunciando nomeação
Raphaela Cardoso foi nomeada delegada da Polícia Civil de São Paulo em dezembro. A celebração nas redes sociais atraiu ataques e ofensas
atualizado
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A mais nova delegada da Polícia Civil de São Paulo, Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, sofreu ataques nas redes sociais após publicar uma foto comemorando a nomeação no cargo, em dezembro do ano passado.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Raphaela passou a receber mensagens ofensivas e discriminatórias publicadas por perfis ainda não identificados, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Os ataques aconteceram na rede social X, na qual ela acumula mais de 30 mil seguidores. Veja algumas das ofensas:
O caso foi registrado por meio da Delegacia Eletrônica como discriminação e injúria, e foi encaminhado ao 51º Distrito Policial, do Rio Pequeno, que adota as providências cabíveis para apuração da ocorrência, informou a SSP.
Delegados apontam machismo
Nas redes sociais, Raphaela se posicionou (veja mais abaixo) e também tem compartilhou mensagens de apoio que tem recebido de outras autoridades policiais. Em todas elas, o teor machista das ofensas é destacado.
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) lançou uma campanha com o mote #LugarDeMulherÉOndeElaQuiser, com mensagens em defesa da delegada.
Participaram da corrente delegadas da Polícia Civil de São Paulo, juízas do Tribunal de Justiça do Estado (TJSP), advogadas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deputadas da Assembleia Legislativa paulista (Alesp) e uma delegada da Polícia Federal (PF).
Raphaela também compartilhou uma mensagem. “O recado que eu tenho para passar é só um: nós não somos cota, nós não somos exceção. Nós somos a nova realidade das instituições”, afirmou.
A delegada Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), destacou a trajetória vivida por Raphaela antes de chegar à nova função. “A delegada não está ali por concessão. Está ali por mérito, por concurso público, por preparo técnico e por compromisso com a lei”, afirmou.
“Ataques contra mulheres em posição de poder revelam algo muito mais profundo do que crítica. Revelam o incômodo de homens presos a um modelo ultrapassado de dominação, incapazes de lidar com autoridade feminina sem recorrer à agressão”, acrescentou a delegada.
Na tarde desta sexta-feira (9/1), o deputado federal Delegado Bruno Lima (PP), disse ter protocolado um requerimento de Moção de Repúdio na Câmara contra os “ataques misóginos e discriminatórios” direcionados à delegada.
“Não é ‘opinião’. É violência e tentativa de deslegitimar mulheres que ocupam, com competência e preparo, espaços de decisão na Segurança Pública e em todo o Sistema de Justiça”, afirmou no X.













