Amigos protestam após morte suspeita de PM: “Existe ditadura no quartel”
Gisele Alves foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas familiares apontam feminicídio
atualizado
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Familiares e amigos da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta no apartamento em que morava, no Brás, região central de São Paulo, protestam neste sábado (28/2), em frente à Corregedoria da Polícia Militar (PMSP).
Uma das manifestantes reclamou de “negligência” da corporação para a qual Gisele trabalhava. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas pessoas próximas apontam para possível feminicídio.
“O silêncio que tem aqui agora não é de omissão, talvez de alguns, mas não na sua totalidade. É um silêncio que vem de uma hierarquia, de uma corporação arcaica, que da porta para dentro do quartel existe uma ditadura e que todos eles passam por isso em silêncio, aí a Gisele também passava por isso”, disse uma manifestante.
O ato começou na Rua Alfredo Maia, no bairro da Luz, por volta das 9h da manhã. Os participantes, então, seguiram caminhando e pedindo “justiça” pela morte, investigada atualmente como suspeita.
PM foi encontrada morta com tiro na cabeça
- A mulher foi encontrada morta com um disparo na cabeça, no dia 18 de fevereiro, no imóvel onde vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos.
- Após a investigação revelar indícios suspeitos, contudo, o caso passou a ser tratado como morte suspeita. Um dos indícios é que a arma usada no suposto suicídio pertence ao marido da vítima.
- Em depoimento à Polícia Civil, a mãe de Gisele, Marinalva Vieira, também disse que a filha vivia uma relação abusiva com Geraldo Neto.
- Cinco dias antes da morte, a policial teria ligado para os pais chorando muito, falando que não estava mais aguentando a pressão e pediu para o pai buscá-la em casa.
- Ainda de acordo com a mãe de Gisele, a filha era proibida de usar batom, perfume e andar de salto alto.
- Em outra ocasião, a policial também teria tentado se separar do tenente-coronel, o que gerou pânico no homem, que, segundo Marinalva, enviou para a vítima uma foto com uma arma apontada para a própria cabeça.
- O pai tentou ir até o local para auxiliar a filha, mas ela teria mudado de ideia e afirmado que ainda estava conversando sobre o término.
O marido também foi ouvido e a polícia aguarda a chegada de exames e laudos periciais para determinar se houve um crime violento ou não.
Quando procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso havia sido classificado como suicídio e, por isso, não divulgou mais informações.


























