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Luiz Prisco

Hbo/Reprodução

Ver um jovem defender a monarquia é um verdadeiro soco no estômago

Luiz Prisco
 

É errado cair na porrada com alguém por discordar de sua opinião. Vou repetir, para enfatizar. Não se pode bater em uma pessoa que defende a monarquia. Porém, sem dúvidas, é preciso falar: “Cara, você perdeu o juízo”.

As cenas de barbárie protagonizadas na UnB quando um estudante foi espancado por portar uma bandeira do Brasil Império são lamentáveis — sobretudo por ocorrem em uma universidade, onde o livre pensamento é fundamental.

No entanto, é um absurdo imaginar que, em pleno 2016, um jovem defenda a monarquia. O Brasil, aos trancos e ditaduras, é uma República. E, por mais lava jatos e mensalões que existam, a democracia ainda é o sistema que promove maior igualdade e justiça social.

A monarquia é muito mais do que as peripécias da midiática Família Real inglesa. Apoiá-la significa tirar do povo o poder de escolha de seus representantes. É retroceder mais de 300 anos e aceitar que os governantes são fruto do direito divino ou de um suposto “sangue azul” — nem vamos falar da tirania.

Ostentar a bandeira da monarquia é esquecer o sangue derramado na Revolução Francesa e ignorar a luta de inconfidentes e abolicionistas. Não é demais lembrar que realeza e escravidão caminharam lado a lado por aqui.

Jovens universitários são contestadores naturais. Que bom! É preciso derrubar governos corruptos, mudar o sistema político, combater um Congresso que marcha a passos largos para o conservadorismo. Mas, principalmente, é necessário preservar a democracia —  muito maior do que a briga entre coxinhas e mortadelas.

Apanhar por ter uma opinião é algo deplorável. Mas ver jovens defendendo a monarquia é um verdadeiro soco no estômago.

 
 


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