Redesenhando a Saúde do Distrito Federal: desafios gigantescos

Mudanças no Hospital de Base refletem aprimoramentos que o GDF quer levar à toda rede pública, e mudanças estão apenas no começo

Julia Bandeira /MetrópolesJulia Bandeira /Metrópoles

atualizado 02/04/2019 23:01

Há pouco mais de um ano, desde que virou instituto, a principal mudança no Hospital de Base do Distrito Federal foi a autonomia financeira. Dois exemplos marcam essa transformação: a compra direta de medicamentos e a contratação de profissionais. O nome mudou, a aparência também.

Quem chega para consulta encontra consultórios organizados por alas de acordo com a especialidade, identificados de forma mais clara. O maior hospital público do DF passou a adquirir medicamentos, materiais hospitalares e a contratar profissionais de forma direta, sem depender dos processos burocráticos da Secretaria de Saúde (SES-DF), que agora só repassa o dinheiro e recebe a prestação de contas.

O avanço se traduz na reposição de médicos e equipes multiprofissionais para atender com excelência os pacientes. Itens relevantes, como quimioterápicos e antibióticos, foram reabastecidos, sem contar a compra de equipamentos. No setor de radiologia, um novíssimo mamógrafo digital está ajudando no diagnóstico do câncer de mama.

Mas muito ainda precisa ser feito, os desafios são gigantescos. As mudanças estão longe do modelo desejado pelo governador, Ibaneis Rocha (MDB), que, ao assumir o governo, propôs a ampliação desse modelo de gestão. Além disso, determinou o aprimoramento e a reestruturação completa da saúde pública.

O resultado foi a criação do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que passou a abranger, além do Base, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e as seis unidades de pronto atendimento (UPAs) do DF.

Porém, o maior hospital do Distrito Federal tem um parque elétrico que não suporta suas necessidades. Melhorias planejadas nesta gestão dependem da reestruturação elétrica, eleita como prioridade pelo governo e que já conta com projeto técnico e econômico.

Com uma nova subestação, a gestão mira na abertura de mais leitos, instalação de equipamentos modernos e contratação de mais profissionais para oferecer condições dignas de atendimento. O precário sistema de ar-condicionado da unidade, fundado nos anos 1960, também passará a funcionar em sua plenitude e em conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reformas
A nova gestão do Iges-DF está fazendo reformas em toda a estrutura de 12 andares do Hospital de Base. Com isso, o sétimo andar, fechado desde outubro de 2018, foi reativado e passou a ser ocupado pela urologia, o que permitiu criar 25 leitos para desafogar a oncologia e outras especialidade clínicas. Por consequência, diminuímos a superlotação do pronto-socorro.

O Hospital de Base, apesar de manter as portas abertas o tempo todo para a comunidade, tem uma capacidade resolutiva limitada. Mesmo assim, já realizou, este ano, mais de 60 mil consultas, além de exames diversos. Conseguimos liderar a produtividade em cirurgias, com mais de 2,5 mil procedimentos, num total de 15 mil realizadas pelo SOS DF Saúde.

No entanto, a criação do Iges-DF e a reestruturação de suas oito unidades não resolvem os problemas da saúde pública do DF, apenas aliviam. É preciso avançar em toda a rede pública.

Por isso, como determinou o governador, Ibaneis, num trabalho articulado com a Secretaria de Saúde, liderada por Osnei Okumoto, estamos fazendo um redesenho total da rede de serviços. A estrutura é grande. São mais de 500 equipes de saúde da família, 16 hospitais, um hemocentro, e outras unidades, que hoje são ineficientes.

A palavra de ordem do chefe do Executivo local é aprimorar este modelo de gestão financeira descentralizada e estendê-lo, como estamos fazendo, o mais rápido possível para as UPAs e o HRSM, melhorando o atendimento à população.

Estamos concluindo um levantamento – que inclui déficit de pessoal, infraestrutura e tecnologia – no Hospital de Santa Maria e em todas as UPAs. É um diagnóstico situacional que comprova a necessidade de aprimorar o modelo, permitindo implementar ações com celeridade e eficácia.

Quando Ibaneis apontou, na eleição, que pretendia acabar com esse modelo, era exatamente sobre a maneira de fazer gestão. Por isso, determinou a administração baseada em resultados, resolvendo permanentemente os problemas gritantes. Temos que deixar muito claro para a comunidade que herdamos uma estrutura completamente afogada em problemas.

Queremos olhar o passado com isenção e o futuro com obstinação. O governador, Ibaneis, é o cidadão que mais cobra e o que mais deseja ver a comunidade sendo atendida com presteza e dignidade.

E nós estamos aqui para viabilizar este projeto.

  • Francisco Araújo Filho é diretor-presidente do Iges-DF

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