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Tiago Falqueiro

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Mente sã, bolso são: o valor da meditação para os negócios

Tiago Falqueiro
 

Centenas de mensagens no celular, diversas notificações nas redes sociais e dezenas de e-mails desembarcando diariamente na caixa de entrada disputam nosso tempo e atenção a todo momento. É tanta coisa pipocando, que a única solução possível parece ser desenvolver a habilidade de ser multifuncional.

Mas, em um curso rápido à distância desses de coaching, comecei a questionar se a capacidade de executar mil coisas ao mesmo tempo era a melhor para ter uma boa produtividade. Entre as dicas dos vídeos, está uma polêmica: desativar as notificações do celular.

A sugestão faz sentido: toda vez que quebramos nossa concentração para olhar o celular (ou a TV, falar com o colega de trabalho e por aí vai), perdemos um tempo precioso ao ter que voltar ao foco novamente. Então, a saída parece ser conseguir desligar do mundo e se concentrar em uma tarefa de cada vez.

A ideia faz tanto sentido que o principal aplicativo de meditação do mercado, que serve, entre outras coisas, para treinar o foco, o Headspace, já é uma startup que transformou a prática em um mercado de US$ 250 milhões! Segundo a revista norte-americana Fortune, toda a galera do Vale do Silício ama a meditação (e os gurus amam o mercado de volta).

Nesse caminho, comecei a busca por aplicativos de meditação guiada — aquele tipo em que uma voz vai indicando o que deve ser feito a cada momento. Ao testar alguns disponíveis na App Store, descobri um mundo que vai fundo na questão: séries de meditação voltada para o foco, a criatividade e, claro, para aliviar o stress.

Tenho usado mais o Headspace (fiz até a assinatura – US$ 7.99 por mês) e a prática de parar os afazeres e se concentrar na respiração, por exemplo, ajuda mesmo na rotina. Aprendi a lidar melhor com as distrações e, principalmente, a ser mais condescendente comigo mesmo quando perco o foco e nem reparo.

Segundo lista elaborada pelo site Chopra Center, a meditação ajuda os negócios ao:

  • Criar uma visão clara dos objetivos;
  • Inspirar a ser inovador na forma de se relacionar com fornecedores de produtos e serviços;
    Liderança;
  • Ajudar os funcionários a trabalhar melhor em equipe.

Já um artigo da revista Entrepreneur enumera outras qualidades que vem com a meditação, como a disciplina, pensamento positivo e a não ser reativo, por exemplo.

Bilhões

Voltando ao Headspace, uma crise pessoal do publicitário Richard Pierson o levou a ter contato com um monge tibetano e criar um negócio bilionário. Hoje, o plano da empresa é transformar a startup no “mais abrangente guia para saúde e felicidade desde quando se nasce até quando se morre, e tudo entre um coisa e outra”.

No ano passado, a Vivo, em parceria com o monge Satyanatha, laçou app para os clientes trabalharem o equilíbrio anterior, com exercícios de cinco a 50 minutos. A assinatura mensal do Vivo Meditação custa R$ 24,99/mês e a semanal, R$ 5,99/semana.

O aplicativo é dividido em sessões para iniciantes e para avançados. E também traz meditações com temas, como problemas na hora de dormir ou para quando o dia foi estressante. Poderia incluir, inclusive, algo para depois de um tempo gasto no atendimento ao consumidor, que, no ramo da telefonia, costuma tirar qualquer um do sério.

Parece que trabalhar melhor as questões internas, buscando um equilíbrio para fazer frente ao mundo caótico que se apresenta pode ter um impacto positivo no trabalho e, por consequência, na conta bancária.


Jornalista de tecnologia, Tiago Falqueiro acompanha os lançamentos e as novas tecnologias desde 2006. Depois de trabalhar como repórter especializado na área, migrou para a comunicação digital e especializou-se em redes sociais. Hoje, trabalha com inovação, startups e coworking.

 
 


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