FAC-UnB: ex-diretora fala sobre assédios de ex-técnico de laboratório

Dácia Ibiapina era a responsável pela Faculdade de Comunicação na época em que Jeová Batista foi acusado de atacar alunas da instituição

atualizado 02/01/2019 20:00

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Cara Danyella Proença,

Caras ex-alunas da Faculdade de Comunicação da UnB,

Como vocês, ao acompanhar as notícias sobre o caso João de Deus, rememorei os episódios de assédio que ocorreram no Laboratório de Fotografia da FAC/UnB praticados pelo técnico de fotografia Jeová Batista, que trabalhava no local.

Eu também atualizei o sofrimento que aquelas vivências representaram para mim, que nem de longe pode ser comparado ao sofrimento e aos danos emocionais e psicológicos pelos quais vocês passaram e ainda passam.

Eu sou a diretora mulher mencionada na matéria do portal Metrópoles. Sim, é verdade, Danyella [Proença, ex-aluna que recentemente publicou relato denunciando o caso, vivido anos atrás]: quando conversei com Jeová Batista na época, ele negou o assédio, como habitualmente fazem homens que praticam esse tipo de agressão contra mulheres.

Na época, tomei várias providências, entre as quais buscar orientação e ajuda da Administração Superior da Universidade de Brasília. Expliquei ao reitor que era impossível a permanência do funcionário na FAC e, de fato, ele foi afastado da faculdade.

Eu e uma colega professora fizemos, você deve se lembrar, reunião de acolhimento com as estudantes assediadas, recolhemos os relatos e encaminhamos para a Administração Superior para a abertura do processo administrativo. Reuni o Conselho da FAC para informar sobre os fatos, bem como para debater sobre a gravidade da situação e sobre as providências a serem tomadas.

Mais recentemente, soube que o processo administrativo prescreveu sem que as devidas providências tenham sido tomadas. Lamentável. Ressalto que esse tipo de processo corre sob sigilo e que a direção da unidade acadêmica implicada não participa do mesmo.

Venho aqui me solidarizar com vocês e pedir perdão se as providências que tomei na época se revelaram insuficientes. Objetivamente não me sinto culpada, mas, como mulher, sinto culpa por fazer parte de uma sociedade machista e conivente com casos de assédio.

A cada notícia que me chega sobre mulheres que sofrem assédio e outros tipos de violência, sofro como se fosse eu a vítima. Se hoje é difícil o acolhimento, punição e reparação, em 2007 era mais difícil ainda.

*Dácia Ibiapina é ex-diretora da Faculdade de Comunicação da UnB

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