Crescimento do país passa por envolver jovens em debates

“O ideal seria que nossos representantes nas esferas governamentais falassem de jovens, empenhando-se para conhecer e lutar por mudanças”

Autor Daniel Leite

atualizado

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estudo brasileiros
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Falar sobre jovens ou falar de jovens? Do ponto de vista gramatical, as duas regências estão corretíssimas – no entanto, expressam conotações distintas, que não devem ser confundidas. No dia a dia, não nos damos conta de tais diferenças, mas falar sobre jovens é exprimir uma ideia de algo visto de cima e, por vezes, externo à realidade daquele que expõe os fatos. Ou seja, quem fala sobre jovens pode até ter noção dos pormenores da juventude, mas, dada sua superioridade, não tem o lugar de fala e, portanto, não pode relatar com genuinidade as vivências e necessidades desse público.

Esse fato por ser representado, simbolicamente, pelos atletas profissionais, que, com total domínio, esclarecem e defendem suas práticas esportivas, pois vivenciam de perto as lutas e glórias de cada etapa do trabalho desenvolvido, bem diferente do sujeito amador, que acompanha os eventos esportivos via TV e, por isso, só é capaz de falar sobre o assunto.

Talvez, “falar sobre” remeta à noção de distanciamento do assunto, indicando algo externo, não palpável – o que se tem é a manifestação oral ou escrita de um tema popularizado pelos comportamentos e costumes já tipificados. Nesse sentido, “falar sobre jovens” pode deixar o discurso no nível do artificialismo ou até mesmo torná-lo banal.

Já quem “fala de jovens” traz particularidade ao que se diz, pois tem conhecimento de causa e, certamente, está perto e vivencia a realidade juvenil. Essa temática é tão essencial quanto imaginamos, pois o Brasil necessita cada dia mais se preparar e oferecer educação, qualificação profissional e emprego para todos. Os jovens precisam de apoio e boa orientação sobre seus deveres e direitos. A falta de conhecimento sobre esse assunto é o motivo de tamanho abismo entre os jovens e as boas oportunidades.

O ideal seria que nossos representantes nas esferas governamentais “falassem de jovens”, empenhando-se para conhecer e lutar por mudanças no ordenamento jurídico brasileiro, garantindo proteção integral aos cidadãos jovens, defendendo a igualdade de forma mais ampla e, com isso, ofertando oportunidades específicas e espaço para que o jovem mostre sua força e seu vigor para contribuir e inovar a maneira de pensar da sociedade.

Nessa reflexão, quero destacar que, mais que entender as expressões da língua portuguesa, precisamos nos dedicar a assimilar os caminhos internos da juventude, desbravando as idealizações e a capacidade de cada um, pois, quando “falamos de jovens”, referimo-nos a um terreno fértil que requer manejo cauteloso para que os frutos tão necessários floresçam.

  • Daniel Leite é gestor jurídico

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