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Tiago Coelho

Pedro Ventura/ Agência Brasília
Pedro Ventura/ Agência Brasília

Ao Sinpol: “Política com responsabilidade, não com contracheque”

 

O uso político-partidário do sindicalismo é tão nefasto para a construção de uma sociedade justa e igualitária quanto a corrupção, um ‘câncer’ que devemos combater diariamente. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF), Rodrigo Franco, é irresponsável ao ignorar a conjuntura econômica que levou o governo a negar a terceira parcela do reajuste dos servidores, se comporta como menino mimado e egoísta que se recusa a dividir o pedaço de bolo com o primo faminto.

Em vez de pensar na sociedade como um todo, acusa o governo Rollemberg de “desaparelhar” e “demonizar” o serviço público. Socialista por convicção, Rollemberg nunca se recusou a negociar com os trabalhadores. Pelo contrário, avançou em áreas cruciais, apesar da situação encontrada em janeiro de 2015, com um rombo orçamentário e financeiro da ordem de R$ 6,5 bilhões nos cofres públicos, ao mesmo tempo em que o país atravessava aguda crise econômica, com sucessivas retrações na arrecadação e impacto direto nos repasses para os estados e para o Distrito Federal.

O déficit assumido representava cerca de 17,5% de todo o orçamento do Executivo aprovado pela Câmara Legislativa para 2015. Isso em um cenário em que só o custeio de salários dos servidores já comprometeria mais de 70% de tudo o que o governo previa arrecadar. Já a recessão econômica que assolou o Brasil nos últimos três anos tem sido considerada a pior da história, com um recuo no Produto Interno Bruto (PIB) por dois anos consecutivos, 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, e tímida expansão de 1,1% em 2017, de acordo com projeções do Banco Central e do mercado.

Eram infindáveis as adversidades. Mas o governo não cruzou os braços, arregaçou as mangas e trabalhou muito. Garantiu o pagamento dos salários em dia. Com coragem, Rollemberg fez mudanças nos fundos de pensão dos servidores do Distrito Federal para não parcelar os salários. O governador, por muitas vezes, tentou conceder o reajuste às categorias. No entanto, foi repelido pela falta de recursos, pois o aumento acarretaria, em curto tempo, parcelamento de salários e desabastecimento em outras áreas.

Nem durante o processo árduo de recuperação da economia o governo fechou as portas ao diálogo. Apesar das dificuldades, estabeleceu um cronograma de pagamento de pecúnias. Isso representa mais de R$ 500 milhões apenas neste ano, o que daria para construir dois Hospitais da Criança. O desembolso está sendo feito conforme a disponibilidade em caixa.

Na segurança pública, área de atuação do presidente do Sinpol-DF, houve forte atuação do Executivo para fortalecê-la. Temos uma Polícia Militar e uma Polícia Civil com alto nível de instrução. Quase dois mil policiais foram capacitados, desde 2015, para o atendimento e tratamento das ocorrências diárias de violência doméstica. Somente da Polícia Civil, foram 1.847 servidores treinados.

Além disso, estamos com concursos em andamento para reforçar os quadros da Polícia Militar. Serão mais de dois mil praças e duzentos oficiais incorporados. Recentemente, foram chamados mil policiais da reserva para voltarem à ativa. O governo também já nomeou 771 aprovados para a Polícia Civil, entre agente de polícia, escrivão de polícia, papiloscopista, perito médico legista e delegado de polícia.

No ano passado, atingimos a menor taxa de homicídios em 29 anos, sendo 16,3 mortes para cada grupo de cem mil habitantes. Ou seja, chegamos muito próximos ao ano de 1988. Recentemente, apresentamos os índices de março, que fechou com o menor número de homicídios para o referido mês, desde março de 2005. Temos uma taxa de resolução de homicídios em torno de 61%, acima da média nacional, de 33%.

Os avanços foram reconhecidos mundialmente. O Distrito Federal ganhou o título de Capital Ibero-Americana da Paz no biênio 2017-2018, em razão da construção de uma cultura de paz contra formas de violência – de cor, raça, religião, orientação sexual, gênero, entre outras. O prêmio é concedido pela União das Cidades Capitais Iberoamericanas, uma organização não governamental.

O presidente do Sinpol-DF se aventura, de forma leviana e irresponsável, em outras áreas. Na educação, omite a universalização do acesso à escola às crianças de 4 e 5 anos, em atendimento ao Plano Nacional da Educação (PNE).

Além disso, apenas no ano de 2018, mil novos professores foram contratados para atender à população. No que tange à mobilidade urbana, o governo Rollemberg conseguiu a liberação de R$ 289,2 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Mobilidade Grandes Cidades) para ampliação do metrô e implantou o Bilhete Único, que permite ao passageiro utilizar três ônibus em um período de três horas ao custo de 5 reais.

Concomitantemente, esse governo executa o Trevo de Triagem Norte, com 26 pontes, viadutos e acessos em construção, a maior obra viária desde Juscelino Kubitschek, que atenderá uma área sempre esquecida nos governos anteriores, a saída norte, beneficiando cerca de 200 mil pessoas. Rollemberg ainda investe em infraestrutura em áreas carentes, como Sol Nascente, Buritizinho e Porto Rico.

Respeitamos a livre associação profissional ou sindical, mas ficamos preocupados com o uso do sindicalismo para proteger interesses próprios e de partidos políticos, por um grupo desinformado ou mal-intencionado. Respeitamos os 300 mil servidores da rede pública, mas não podemos esquecer dos outros 2,9 milhões de brasilienses.

Pedimos uma reflexão honesta da realidade. É irresponsável pensar em fortalecimento do serviço público apenas por meio de reajuste salarial. Não esquecemos que outros estados atrasam ou parcelam os salários. Política se faz com responsabilidade, não com contracheque.

(*) Tiago Coelho é presidente da Executiva do PSB

 
 


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