Mercado: “Pibinho” do 3º trimestre confirma desaceleração da economia

Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (4/12), PIB do país cresceu 0,1% em relação ao trimestre anterior e 1,8% na base anual

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Michael Melo/Metrópoles
Agronegocio - Agro - Rural - fazenda - metropoles
1 de 1 Agronegocio - Agro - Rural - fazenda - metropoles - Foto: Michael Melo/Metrópoles

O desempenho tímido da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano, com uma leve alta de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em relação aos três meses anteriores, não surpreendeu o mercado e confirma o cenário de desaceleração da atividade econômica do país.

Essa é a avaliação predominante de economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles nesta quinta-feira (4/12), pouco depois da divulgação dos dados oficiais do PIB por parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sob a ótica da produção, houve resultados positivos na agropecuária (0,4%) e na indústria (0,8%) enquanto a atividade dos serviços (0,1%) não mostrou variação significativa.

Segundo o IBGE, o PIB somou R$ 3,2 trilhões no terceiro trimestre, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 449,3 bilhões, aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. A taxa de investimento foi de 17,3% do PIB, ligeiramente abaixo dos 17,4% do mesmo trimestre do ano passado. Já a taxa de poupança foi de 14,5%, igual à do terceiro trimestre de 2024.

Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB avançou 1,8%, com crescimento na agropecuária (10,1%), na indústria (1,7%) e nos serviços (1,3%).

O que diz o mercado

De acordo com André Valério, economista sênior do Banco Inter, “o resultado do terceiro trimestre reforça a tendência de acomodação do crescimento da economia”. “Nos últimos oito trimestres, o crescimento médio do PIB na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior foi de 3%. Esse trimestre marca um desvio dessa tendência, com o crescimento nessa métrica sendo de 1,8%”, observa.

Ainda assim, aponta Valério, “vemos uma economia bastante robusta, e o PIB caminha para ter um crescimento significativo em 2025, acumulando alta de 2,4% até setembro, ainda crescendo acima da tendência pré-pandemia”. “De toda forma, esperamos a continuidade da tendência de acomodação do crescimento, com o PIB encerrando o ano com alta acumulada de 2,2%”, projeta.

Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, avalia que o PIB do terceiro trimestre “confirmou o que o mercado já vinha monitorando: um verdadeiro ‘pibinho’”. “A economia praticamente ficou de lado, mostrando a perda de ritmo dos serviços e uma acomodação mais forte do consumo das famílias. A indústria extrativa segue sendo o principal ponto de sustentação do crescimento”, destaca.

“Pelo lado da demanda, tanto consumo quanto investimento avançam em ritmo mais fraco, pressionados pelo crédito ainda caro e pelo custo elevado do capital – um cenário que o IBC-Br [Índice de Atividade Econômica do Banco Central] já vinha antecipando. Além das taxas de juros altas aqui, as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros pesaram sobre a atividade”, completa Spyer.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, por sua vez, aponta que “os juros altos já estão colocando algum freio na economia, mas não esperamos uma desaceleração forte”. “Na nossa visão, o mercado de trabalho aquecido e os estímulos promovidos pelo governo, como o aumento da isenção do Imposto de Renda, que passará a valer em 2026, devem manter a economia brasileira em expansão, ainda que em ritmo mais moderado”, afirma.

“A atividade está esfriando gradualmente, mas as medidas de estímulo anunciadas pelo governo devem evitar uma desaceleração maior da economia. Nossa projeção é a de que o PIB cresça 2% em 2025 e 1,7% em 2026″, diz Moreno.

Para Marco Ribeiro Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, os dados do PIB do Brasil mostram “que o país continua crescendo neste ano, mas já é uma leitura de uma economia um pouco mais desaquecida, especialmente se comparamos com o primeiro semestre”.

“A gente vê um nível de desemprego baixo neste momento, mas, ao mesmo tempo, a Selic passou o ano inteiro em taxas elevadíssimas, na faixa de 15%. E isso tem deixado o crédito cada vez mais seletivo. Vimos, inclusive, um estresse com relação ao crédito privado. Isso tira um pouco o ímpeto de um crescimento mais forte”, afirma.

“A perspectiva é que o país cresça próximo de 2,2% e, olhando para 2026, devemos ter um crescimento menor em relação a este ano, mas ainda na faixa de 1,7% e 1,8%. Então, na prática, os sinais estão mistos”, explica Noernberg.

“Temos um governo tentando estimular o consumo com gastos governamentais e, ao mesmo tempo, a questão da Selic muito alta e um crédito muito restritivo. Esses dois fatores se contrabalanceiam. O resumo geral é: temos uma economia que continua crescendo, mas em um ritmo mais fraco do que se viu recentemente.”

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, diz que, na ótica da demanda, “os sinais seguem compatíveis com um ambiente menos dinâmico”. “O consumo das famílias e do governo avançou de forma moderada, enquanto a formação bruta de capital fixo permaneceu em nível baixo, refletindo condições financeiras apertadas, menor confiança empresarial e um ciclo de investimentos ainda contido. O setor externo continuou contribuindo positivamente, com exportações mais firmes e importações enfraquecidas”, apontou.

Diante desse quadro, o quarto trimestre deve registrar expansão de 0,2%, o que motivou a revisão das projeções para 2025 e para os anos subsequentes. Assim, passamos a projetar crescimento anual de 2% para o fechamento deste ano, compatível com o carrego estatístico ainda elevado e com o desempenho favorável dos setores agropecuário e extrativo, mas já refletindo a estabilidade dos serviços e a composição menos favorável da demanda que marcaram o terceiro trimestre”, prossegue Ariane.

Segundo a economista, para 2026, a projeção é de crescimento de 1,5%, ante 1,7% da estimativa anterior, “refletindo condições financeiras ainda restritivas, desaceleração global e um ciclo de investimentos relativamente contido”. “Já para 2027, mantemos expectativa de expansão moderada, de 1,4%, em linha com um ambiente de juros estruturalmente mais elevados e um consumo que tende a crescer de forma mais gradual”, conclui.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?