Trump retoma pressão na Venezuela por via distinta da aposta em Guaidó
Anos após o opositor Juan Guaidó, Donald Trump mudou o jogo político na Venezuela após Maduro ser capturado pelos EUA
atualizado
Compartilhar notícia

Menos de um ano após assumir a Casa Branca, Donald Trump deu um passo significativo na pressão contra a Venezuela, iniciada ainda durante o primeiro mandato presidencial. No último sábado (3/1), o líder dos Estados Unidos ordenou uma operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro. Um movimento mais agressivo do que o realizado em 2019, quando o líder norte-americano apoiou o autoproclamado governo de Juan Guaidó.
Maduro capturado
- No último sábado (3/1), a Venezuela foi alvo de um ataque dos Estados Unidos, em uma operação que contou com a participação de cerca de 150 aeronaves militares.
- A ação ocorreu após meses de ameaças e de uma mobilização militar massiva dos EUA na América Latina e Caribe. A justificativa da Casa Branca era combater o tráfico de drogas na região.
- O ataque resultou na captura de Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores.
- Depois de serem removidos da Venezuela por militares norte-americanos, os dois foram enviados para os EUA, onde devem enfrentar a Justiça do país.
- Maduro e Cilia são acusados de crimes ligados ao tráfico internacional de drogas. Provas das acusações vindas de Washington, contudo, ainda não foram divulgadas.
- Até o momento, ainda não há uma data para que o julgamento de Maduro e sua esposa seja iniciado.
Exilado nos EUA, Guaidó foi o pivô da última maior rebelião contra o governo chavista. Depois de uma eleição contestada internacionalmente em 2018, o então presidente da Assembleia Nacional da Venezuela se autoproclamou presidente do país há cerca de sete anos, e chegou a ser considerado o líder venezuelano de fato até meados de 2023.
Na época, grande parte da comunidade internacional reconheceu o opositor de Maduro como presidente da Venezuela, incluindo o Brasil, na época governado por Jair Bolsonaro (PL). Com políticas alinhadas aos EUA, Guaidó recebeu apoio especial de Donald Trump, que na época exercia o primeiro mandato.
Durante a última corrida presidencial norte-americana, Trump relembrou a situação da Venezuela há alguns anos — e revelou uma frustração pessoal ligada ao petróleo do país.
Em um evento do Partido Republicano realizado em 2023, Trump afirmou que caso tivesse sido reeleito nas eleições de 2020, os EUA poderiam ter “pegado” as reservas do combustível fóssil do país latino-americano.
“Quando eu saí, a Venezuela estava prestes a colapsar”, disse Trump durante um evento do Partido Republicano em 2023. “Nós teríamos tomado o país e pegado todo aquele petróleo. Seria ótimo”.
Operação Resolução Absoluta
Mesmo com as acusações contra Maduro por supostas ligações com o tráfico de drogas, além do contestado governo venezuelano, um dos pontos centrais da fala de Trump após a captura do então presidente da Venezuela girou em torno do petróleo.
Com o sucesso da Operação Resolução Absoluta, que atacou pontos da Venezuela e resultou na queda do líder chavista, o presidente norte-americano afirmou que os EUA devem governar o país durante um período de transição.
Os detalhes sobre o futuro político venezuelano, e o desejo do presidente republicano de manter presença norte-americana no país, ainda não estão claros.
Trump, contudo, afirmou que a possível ingerência dos EUA no país “tem tudo a ver com o petróleo”.
“A nossa presença na Venezuela tem tudo a ver com o petróleo”, disse Trump. “Acho que nós teremos muita riqueza saindo daquele solo e essa riqueza vai ajudar os venezuelanos ali e fora da Venezuela, e vai para os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos causados ao nosso país”.
Os desejos do líder norte-americano, porém, batem de frente com recentes declarações da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Antes mesmo de ser empossada como a nova comandante venezuelana, a vice de Maduro afirmou que o país não será mais colônia de nenhuma outra nação. Por isso, Rodríguez prometeu disposição de diversos setores venezuelanos para “defender a Venezuela e os nossos recursos nacionais e energéticos”.















