Categorias: Política

Venezuela tem segunda morte durante protestos contra Maduro no país

A jovem Jurubith Rausseo García morreu nesta quarta-feira (01/05/2019), durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro na Venezuela, segundo a ONG Observatorio de Conflictos (OVCS). Com essa, sobe para dois o número de mortos na nova onda de manifestações anti-governo no país.

“Condenamos o assassinato da jovem Jurubith Rausseo García, de 27 anos, por um disparo em sua cabeça durante manifestação em Altamira (Caracas)”, informou a ONG em sua conta no Twitter.

Confira a postagem: 

Na noite de terça-feira, um venezuelano de 24 anos, identificado como Samuel Enrique Méndez, morreu durante os protestos ocorridos no Estado de Aragua, segundo informou a ONG Provea, que não detalhou as causas da morte.

Levante
Os violentos confrontos ocorridos em algumas das manifestações contra o governo de Nicolás Maduro, que acontecem nesta quarta-feira (01/05/2019), em toda a Venezuela deixou 27 pessoas feridas, segundo o prefeito de Caracas, Gustavo Duque. Elas foram socorridas ao centro médico Salud Chacao.

Duque diz que cerca de metade dos feridos foram atingidos por disparos de arma de fogo. Uma pessoa foi baleada no pé. Em Caracas, os confrontos começaram quando dezenas de opositores tentaram bloquear uma autoestrada e lançaram pedras e coquetéis molotov contra a base aérea onde um grupo de militares se rebelou nessa terça (30/04/2019) contra o presidente Maduro.

Da base, soldados da Guarda Nacional lançaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes que estavam encapuzados e faziam parte de uma passeata com centenas de pessoas.

Homens da guarda nacional também usaram gás lacrimogêneo para impedir o avanço de uma pequena mobilização no setor de El Paraíso, a uma distância de menos quatro quilômetros do palácio presidencial de Miraflores, conforme imagens da imprensa local.

 

Em outros setores da cidade, como La Florida, membros da oposição denunciaram “repressão” da guarda nacional e da polícia.

Nessa terça-feira, durante o frustrado levante militar liderado por Guaidó, houve distúrbios em várias cidades. De acordo com o governo e com organizações de direitos humanos, uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas.

Durante os protestos dessa terça, o diretor do hospital de Caracas disse que os médicos receberam mais de 50 pacientes feridos durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

ONU
Ainda nesta quarta-feira, os Estados Unidos condenaram os ataques contra “manifestantes pacíficos”, afirmou o representante de Washington em um conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Alexis Ludwin.

“Os Estados Unidos condenam, nos termos mais firmes, esses ataques contra manifestantes pacíficos”, declarou Ludwin.

A sessão extraordinária dedicada à situação na Venezuela foi presidida pelo delegado do líder opositor venezuelano Juan Guaidó, o advogado Gustavo Tarre. Ele ocupa a cadeira de Caracas, depois que a OEA decidiu, em votação, não reconhecer os representantes de Maduro.

Tarre pediu que fossem exibidas imagens dessa terça registradas pela imprensa na Venezuela. “Esses ataques não vão silenciar o povo venezuelano. O povo conhece a verdade”, frisou.

Também nesta quarta-feira, a alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu as autoridades venezuelanas para que evitem “uso excessivo da força” contra os manifestantes. Ela convocou todas as partes a “renunciarem à violência”.

“O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos está extremamente preocupado com as informações sobre o uso excessivo da força por parte das forças de segurança contra manifestantes na Venezuela, o que aparentemente deixou dezenas de feridos”, declarou a porta-voz de Michelle Bachelet, Marta Hurtado, em um comunicado. “Segundo informações recebidas, muitos outros foram detidos”, completou.

“Diante dos protestos em massa programados para hoje [01/05/2019], fazemos um apelo a todas as partes, para que mostrem a máxima moderação, e às autoridades, para que respeitem o direito à reunião pacífica”, afirmou. “Também advertimos contra o uso de uma linguagem que incite à violência”, acrescentou.

Na declaração, a porta-voz de Michelle Bachelet lembra o governo venezuelano de seu dever de garantir a proteção dos direitos humanos de todos e ressalta que “esta agência da ONU continuará monitorando a evolução da situação no país”.

Estadão Conteúdo

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