Entidades do Brasil e do exterior pedem que ONU repreenda Bolsonaro

Grupo de 14 instituições quer que o secretário-geral da ONU repreenda o brasileiro pelo fogo na Amazônia

Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesFoto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 12/09/2019 16:39

Com a aproximação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) – cuja abertura será no próximo dia 24 de setembro – a pressão internacional em cima do presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) volta a ganhar força. Um grupo de 14 entidades brasileiras e estrangeiras iniciou um abaixo-assinado online e enviou uma carta ao secretário-geral da entidade, António Guterres, pedindo que ele “condene” e “repreenda” o capitão reformado e suas ações em relação à proteção do meio ambiente.

A mobilização internacional foi coordenada pela Articulação dos Povos Indígenas (APIB) e conta com o apoio de outras entidades brasileiras como a Uneafro, que reúne grupos que defendem a população negra. A maioria dos signatários, porém, é estrangeira, principalmente dos Estados Unidos: Comitê Defend Democracy in Brazil – Nova York; Amazon Watch; ANSWER Coalition NYC (Act Now to Stop the War and End Racism); Rise And Resist NY; Extinction Rebellion International; Extinction Rebellion NYC; Extinction Rebellion Amazonia; Earthstrike NYC; Rede dos Estados Unidos pela Democracia no Brasil; Reverend Billy & the stop shopping choir; Revolting Lesbians e Women’s Earth and Climate Action Network (WECAN).

No texto da carta, os signatários se dizem “indignados” devido “ao fato da 74ª Assembléia Geral das Nações Unidas de 2019, com dedicação especial à Cúpula de Ação Climática, ser inaugurada por Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, um negador da mudança climática que, durante o curto período de sua presidência, supervisionou a destruição sem precedentes da Amazônia e a rápida reversão de décadas de tentativa de progresso ambiental e de direitos humanos na região”.

Os grupos focam as críticas na situação da Amazônia, “um patrimônio brasileiro, lar de mais de um milhão de indígenas e também um patrimônio mundial”. O fato de o presidente brasileiro estar escalado para abrir, além da assembleia, uma Cúpula de Ação Climática é o que mais incomoda os signatários. “Permitir que ele [Bolsonaro] fale sem ser contestado como orador de abertura de uma sessão dedicada à Ação Climática ridiculariza a ONU e seus órgãos”, conclui o texto.

A Assembleia
O presidente Jair Bolsonaro ainda se recupera de cirurgia realizada no último domingo (08/09/2019) para a retirada de uma hérnia que surgiu no abdômen, na cicatriz de outra operação que ele realizou no tratamento que se seguiu à tentativa de assassinato que sofreu na campanha de 2018. O governo prevê, porém, que Bolsonaro esteja apto a viajar no próximo dia 22 de setembro, para discursar dois dias depois na abertura da Assembleia Geral da ONU, na sede da entidade em Nova York (EUA).

Ao discursar, Bolsonaro deve continuar uma tradição de décadas: o Brasil sempre abre os trabalhos por ter sido o primeiro país a assinar a ata de criação da ONU. O segundo discurso, também tradicionalmente, é do presidente dos Estados Unidos, país anfitrião do encontro.

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