Petroleira peruana comunica atentado contra oleoduto na Amazônia

Petroperú afirma que segundo ataque em pouco menos de um mês causou vazamento de óleo na província amazônica de Bagua, no norte do país

Reprodução/Twitter/PetroperúReprodução/Twitter/Petroperú

atualizado 09/07/2019 18:24

A companhia petrolífera estatal do Peru, a Petroperú, informou nesta terça-feira (09/07/2019) que houve novo atentado contra o Oleoduto Norperuano (ONP), provocando vazamento de petróleo na região do Amazonas, no norte do país.

De acordo com um comunicado da empresa, o oleoduto foi alvo de uma ação criminosa na altura do quilômetro 371 do trecho II, na comunidade de Tayuntsa, próxima do rio Nieva, província amazônica de Bagua.

“Nesse setor, a tubulação está exposta”, afirmou a empresa, antes de assinalar que o ataque foi detectado no início da manhã de hoje e que uma equipe técnica especializada já está a caminho do local para executar os trabalhos de contenção e reparos.

A Petroperú acrescentou que “ainda não foi possível determinar a quantidade de petróleo derramado”, mas lembrou que o bombeamento de óleo por essa infraestrutura está paralisado desde 5 de julho por um protesto de organizações indígenas na região.

A empresa assinalou que o incidente já foi “notificado aos órgãos de fiscalização” e que solicitou “a imediata intervenção” da Polícia Nacional e do Ministério Público “por ser um ato ocasionado por terceiros contra a infraestrutura do ONP, considerado um ativo crítico nacional”.

“É importante assinalar que, de acordo com os resultados da inspeção interna realizada na tubulação, não foram identificadas anomalias neste setor, por isso está descartado que o evento corresponda a uma falha estrutural”, informou a Petroperú.

A companhia petrolífera peruana pediu aos moradores da região que permitam a entrada de seus funcionários no local afetado, para que realizem os reparos e ações de limpeza “para proteger as comunidades e o meio ambiente”.

Contaminação

É o segundo incidente que acontece nas últimas semanas no ONP, já que em 18 de junho um outro vazamento de óleo foi notificado na altura da comunidade indígena amazônica de Nuevo Progreso, o que afetou um riacho que serve de fonte de água para os habitantes.

Uma semana depois, mais de 20 indígenas do distrito de Manseriche foram atendidos por brigadas de saúde devido a dores de cabeça, náuseas e enjoos por causa do vazamento de petróleo, segundo o Ministério da Saúde peruano.

Naquele momento, a Petroperú também reportou que o vazamento foi provocado por “um ato criminoso”. Algumas lideranças indígenas, no entanto, disseram depois à Agencia Efe que isto era uma “mentira”, já que a tubulação está a dois metros sob o solo e ninguém da comunidade teria feito qualquer intervenção no equipamento.

Petróleo da floresta

Nos últimos anos, o Oleoduto Norperuano foi afetado por cortes e rachaduras na tubulação em diversos setores da região amazônica, que a Petroperú atribuiu à ação de terceiros, com o consequente vazamento de óleo e a paralisação de suas operações.

O Oleoduto Norperuano está em operação desde 1977 e transporta o petróleo extraído na floresta peruana até o terminal portuário de Bayóvar, no Oceano Pacífico, através 1.106 quilômetros de tubos que atravessam a Amazônia e a cordilheira dos Andes.

Últimas notícias