Austrália: fumaça de incêndios fará circuito completo pela Terra

Em 8 de janeiro deste ano, a Nasa detectou que as nuvens de fumaça já haviam percorrido "metade do planeta", afetando a qualidade do ar

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atualizado 14/01/2020 9:48

Cientistas da agência espacial americana (Nasa) alertam que, possivelmente, a fumaça dos incêndios na Austrália deve fazer ao menos um “circuito completo”  ao redor do planeta. A observação foi feita usando satélites que analisam a fumaça e os aerossóis provenientes do fogo que devastam o país.

Os especialistas da Nasa estudam as plumas de fumaça desde o final de dezembro de 2019. Em 8 de janeiro deste ano detectaram que elas haviam percorrido “a metade da Terra”, atravessando a América do Sul e causando céus nebulosos, além de nascer e pôr do sol de cores intensas. O fenômeno afetou a qualidade do ar em outros países.

Cientistas da Nasa acrescentaram que o produto das chamas já causa “graves problemas na qualidade do ar” na Nova Zelândia, além do escurecimento da neve das montanhas do país. A CNN informou no início deste mês que as geleiras Fox e Franz Josef, na Nova Zelândia, ficaram “marrons”, como resultado da fumaça e das cinzas dos incêndios florestais australianos.

Tempestade de fumaça

As condições sem precedentes levaram à formação de um número incomum de eventos chamados pirocumulonimbus (pyrCbs), que são tempestades induzidas pelo fogo.
Eles são acionados pelo aumento de cinzas, fumaça e material queimado através de correntes de ar superaquecidas.

De acordo com a Nasa, à medida que esses materiais esfriam, formam-se nuvens que se comportam como tempestades tradicionais, mas sem a precipitação que a acompanha.

Os eventos PyroCb fornecem um caminho para que a fumaça atinja a estratosfera a mais de 16km de altitude. Uma vez na estratosfera, a fumaça pode viajar milhares de quilômetros a partir de sua fonte, afetando as condições atmosféricas globalmente.

Ao menos 28 mortos

A Austrália está sendo devastada pelos piores incêndios florestais vistos em décadas, com grandes áreas do país queimadas pelo fogo desde o início da temporada de incêndios, no final de julho.
Ao menos 28 pessoas morreram em todo o país. Somente no estado de Nova Gales do Sul (NSW), mais de 3 mil casas foram destruídas ou danificadas.

O fenômeno foi agravado seriamente pelo calor e seca persistentes, e muitos apontam as mudanças climáticas como um fator que faz com que os desastres naturais sejam ainda piores.

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