Maduro ordena mais exercícios militares após Nobel da Paz de opositora

Líder opositora María Corina Machado foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz pela atuação política na Venezuela

atualizado

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Imagem colorida, Maduro em evento na Venezuela-Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida, Maduro em evento na Venezuela-Metrópoles - Foto: Jesus Vargas/Getty Imagens

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou neste sábado (11/10) o início de novos exercícios militares em resposta ao deslocamento de forças navais dos Estados Unidos para o sul do Caribe, próximo à costa venezuelana. A decisão ocorre um dia após a líder opositora María Corina Machado ser agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento à sua atuação política em um contexto de repressão e crise institucional no país

As manobras, chamadas de “Independência 200”, mobilizam tropas regulares, milicianos e equipamentos militares em áreas estratégicas como La Guaira e Carabobo, com o objetivo declarado de proteger o território nacional diante do que o governo classifica como uma “escalada militar” por parte dos Estados Unidos. Desde agosto, Washington mantém oito navios de guerra e um submarino nuclear na região, oficialmente como parte de uma operação contra o narcotráfico.

Embora o governo norte-americano afirme que a presença militar tem fins de segurança regional, Caracas vê a movimentação como uma ameaça direta à sua soberania. Durante uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU, representantes venezuelanos alegaram que os EUA estariam preparando ações ofensivas “a curto prazo”.

A concessão do Nobel à opositora María Corina Machado adicionou um novo elemento à crise. A líder do partido Vente Venezuela, que atualmente vive na clandestinidade, foi reconhecida pelo Comitê Nobel por sua “coragem cívica” diante da repressão política. No entanto, sua proximidade com o ex-presidente Donald Trump, a quem dedicou o prêmio, gerou reações mistas dentro e fora da Venezuela.

Trump, que retornou à presidência dos EUA em janeiro, afirmou ter conversado com Machado após o anúncio do prêmio e relatou que ela teria dito que aceitava o Nobel “em sua homenagem”. O ex-presidente, que há anos reivindica para si o mérito por iniciativas de paz internacionais, voltou a criticar o Comitê Nobel por não tê-lo premiado, acusando-o de agir por motivações políticas.

A aliança entre Machado e Trump, embora vista por alguns como estratégica, também levanta questionamentos sobre a autonomia da oposição venezuelana e os riscos de uma excessiva dependência de atores externos. Analistas alertam que a politização do Nobel pode comprometer sua legitimidade como símbolo de paz e diálogo, especialmente em um cenário de crescente militarização e polarização.

O governo Maduro, por sua vez, mantém sua retórica de resistência e denuncia o que chama de “ingerência estrangeira”. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que o país está preparado para “defender sua soberania em todos os cenários possíveis”.

Enquanto isso, a população venezuelana segue enfrentando uma crise humanitária prolongada, com inflação elevada, escassez de alimentos e serviços públicos colapsados. A disputa entre governo e oposição, agora amplificada por fatores internacionais, continua sem perspectivas claras de resolução.

“Doutrina Monroe”

A crise venezuelana, embora marcada por fatores internos como colapso econômico, autoritarismo e repressão política, também se insere em um contexto geopolítico mais amplo, no qual os Estados Unidos desempenham um papel central. A atuação norte-americana na Venezuela não pode ser compreendida apenas como uma resposta a questões humanitárias ou ao combate ao narcotráfico, mas sim como parte de uma estratégia de contenção à crescente influência de China e Rússia na América Latina.

Historicamente, a América Latina tem sido considerada uma zona de influência prioritária para os EUA, conforme estabelecido pela Doutrina Monroe (1823) e reforçado pelo Corolário Roosevelt (1904). Essas doutrinas, ainda que formuladas no século 19 e início do século 20, continuam a influenciar a política externa norte-americana, especialmente em momentos de tensão geopolítica.

Com a ascensão de Donald Trump, os EUA passaram a adotar uma postura mais assertiva e nacionalista, alinhada à chamada corrente jacksoniana da política externa, que privilegia os interesses domésticos e vê o cenário internacional como uma ameaça à soberania nacional. Essa visão se traduziu em ações mais diretas na região, como o envio de forças militares ao Caribe e o apoio explícito a lideranças opositoras, como María Corina Machado.

Leia mais reportagens como esta em RFI, parceiro do Metrópoles.

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