Inteligência dos EUA reúne evidências de ataque iminente à Ucrânia

Informações coletadas por agentes de alto escalão embasaram discurso de Biden na sexta (18/2). Invasão começaria por Kiev

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

OTAN/Divulgação
Em céu azul acinzentado com névoa, dois aviões fazem um rastro de fumaça no ar - Metrópoles
1 de 1 Em céu azul acinzentado com névoa, dois aviões fazem um rastro de fumaça no ar - Metrópoles - Foto: OTAN/Divulgação

O serviço de inteligência dos Estados Unidos assegurou ao presidente Joe Biden que a invasão da Rússia à Ucrânia é iminente. Segundo informações do The New York Times, as evidências reunidas pelos agentes de inteligência motivaram o discurso do presidente dos Estados Unidos, na sexta-feira (18/2).

Durante o pronunciamento, Biden afirmou que tem “razões para acreditar que as forças russas pretendem atacar a Ucrânia nos próximos dias”. A invasão ocorreria na capital ucraniana, Kiev.

A Casa Branca considerou as informações sobre o planejamento militar russo reunidas pelos agentes como de alto nível e, conforme as previsões sobre a crise foram se tornando realidade, aumentou a confiança nos analistas.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony J. Blinken, afirmou, em entrevista à CNN, neste domingo (20/2), que a “Rússia está tentando criar uma série de provocações como justificativas para iniciar uma ofensiva contra a Ucrânia”.

Entre as estratégias, estariam notícias falsas que circulam na fronteira entre os dois países sobre um genocídio de ucranianos.

Soldados em Belarus

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, decidiu neste domingo (20/2) manter 30 mil soldados e equipamentos militares em Belarus e intensificou o clima bélico na fronteira.

Em um comunicado divulgado pelo exército de Belarus no Telegram, o ministro da Defesa, Viktor Khrenin, disse que “os resultados preliminares do exercício conjunto ‘Allied Resolve-2022’, conduzidos como parte de uma checagem de forças da união, foram concluídos”.

No entanto, segundo o comunicado, a operação vai continuar na região, que é dominada desde 2014 por separatistas apoiados pelo Kremlin e registrou um domingo de explosões misteriosas e troca de tiros na linha de frente com as forças de Kiev.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) confirmou que a Rússia tem até 30 mil soldados na Belarus e pode usá-los como parte de uma força de invasão para atacar a Ucrânia, que fica ao sul do país. No entanto, Moscou negou tal intenção.

Sem entrar em detalhes, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as repetidas advertências do Ocidente de que a Rússia está prestes a invadir a Ucrânia são provocações e podem ter consequências adversas.
Inteligência dos EUA reúne evidências de ataque iminente à Ucrânia - destaque galeria
13 imagens
A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
 A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que pode desencadear um conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível guerra
1 de 13

A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que pode desencadear um conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível guerra

Wolfgang Schwan/Anadolu Agency via Getty Images
A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
2 de 13

A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito

Agustavop/ Getty Images
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
3 de 13

A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local

Pawel.gaul/ Getty Images
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
4 de 13

Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km

Getty Images
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
5 de 13

Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
6 de 13

Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país

Poca/Getty Images
A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro
7 de 13

A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro

Kutay Tanir/Getty Images
Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta
8 de 13

Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta

OTAN/Divulgação
Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território
9 de 13

Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território

AFP
Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território
10 de 13

Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território

Elena Aleksandrovna Ermakova/ Getty Images
Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado
11 de 13

Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado

Will & Deni McIntyre/ Getty Images
O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles
12 de 13

O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles

Vostok/ Getty Images
Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo
13 de 13

Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Apesar de as autoridades afirmarem que os estágios iniciais do ataque já estão em andamento, um funcionário alertou que o Kremlin desenvolveu vários cenários de guerra, portanto, ainda não está claro como exatamente o ataque à capital ucraniana irá se desenrolar.

Tensões

A Rússia e seus aliados apontam que a Ucrânia e o Ocidente intensificam as tensões ao enviar reforços da Otan para a Europa Oriental.

Os países ocidentais ameaçam realizar sanções que, segundo eles, seriam de amplo alcance contra empresas e indivíduos russos em caso de invasão.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defendeu, no sábado (19/2), a existência de evidências que sugerem que a Rússia está planejando “a maior guerra na Europa desde 1945”.

Em entrevista à BBC, o premiê foi questionado sobre a possibilidade de uma iminente invasão russa, e respondeu: “Temo que seja para isso que as evidências apontam, não há como polir”.

“Desastre à frente”

“Temos que aceitar no momento em que [o presidente russo] Vladimir Putin está possivelmente pensando de forma ilógica sobre isso e não vê o desastre à frente”, afirmou o primeiro-ministro.

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, indicou que a Europa estaria dividida acerca de como reagir a uma possível incursão militar reduzida.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?