Guaidó perde força após levante falhar. Maduro faz “limpa” no Exército

Líder opositor admite que fracassono mês passado foi um dos fatores que fez a oposição aceitar negociação com o chavismo na Noruega

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 22/05/2019 12:25

No fim de abril, o líder opositor venezuelano Juan Guaidó fez uma aposta de risco: em uma base aérea de Caracas, ao lado de dezenas de militares e aliados políticos, deu início a uma tentativa de levante militar contra o presidente Nicolás Maduro.

Apesar do apoio popular, com manifestantes enfrentando soldados leais ao chavismo nas principais vias da capital venezuelana, o apelo às Forças Armadas não teve a adesão esperada e a iniciativa fracassou ao final do dia.

Três semanas depois, Guaidó trocou seu endereço fixo por meia dúzia de esconderijos para não ser preso. A maioria dos homens que estiveram com ele naquele 30 de abril, e muitos dos legisladores que o apoiam, estão presos ou abrigados em embaixadas estrangeiras. Os soldados rotineiramente fecham a Assembleia Nacional, presidida pelo opositor.

E os protestos que nos primeiros meses do ano encheram as ruas com os partidários de Guaidó estão diminuindo à medida que os venezuelanos, lutando contra uma economia decadente e escassez de alimentos, medicamentos e, agora, até gasolina, focam sua atenção em sobreviver.

Enfraquecido e incapaz de entregar a prometida solução para a crise que assola o país, Gaidó foi obrigado a aceitar negociar com Maduro. Chavismo e oposição enviaram representantes na semana passada para uma rodada de diálogo na Noruega.

Em público, Guaidó continua otimista e inabalável. Em manifestações rápidas no entorno de Caracas, ele pede que seus apoiadores mantenham os protestos. Mas durante uma entrevista, ele reconheceu que a capacidade da oposição de mobilizar a população está diminuindo.

“A perseguição (do governo chavista) foi selvagem”, disse Guaidó no corredor vazio de um dos esconderijos que usa.

Em discurso para funcionários públicos na semana passada, o líder opositor explicou que aceitou negociar com o chavismo, mas garantiu que não “se deixaria se enganado por falsas negociações”. Ele também afirmou que seu objetivos ainda são tirar Maduro do poder, estabelecer um governo de transição e convocar eleições justas e livres.

Aposta chavista
Seis anos de recessão, no entanto, tornaram Maduro perito em administrar, quando não consegue resolver, crises que geram efeito cascata. Agora ele aposta que a repressão e a fadiga acabarão com o apoio de Guaidó antes que as sanções obriguem seu governo a deixar o poder, diz Félix Seijas, diretor da empresa de pesquisas Delphos, com sede em Caracas.

“O governo acha que o tempo está a seu favor e não está necessariamente errado. Nenhum dos lados pode fortalecer o outro, mas o governo acredita que esta situação é algo que eles podem administrar e controlar”, completou.

Líderes da oposição disseram que continuarão trabalhando para tirar Maduro do cargo e estabelecer um governo de transição dos esconderijos e embaixadas onde buscaram abrigo.

“O objetivo agora não é se tornar um mártir político por ser preso”, disse Juan Andrés Mejía, parlamentar do Partido da Voluntad Popular, de Guaidó, que se escondeu depois que o governo retirou sua imunidade parlamentar na semana passada. “O objetivo é conseguir um governo de transição. Estou focado agora em garantir que o trabalho que começamos não pare.”

Ofensiva de Maduro
Para mostrar que continua com respaldo dos militares, na terça-feira Maduro ordenou que as Forças Armadas “capturem traidores”.

“Se surgir um traidor, devem capturá-lo imediatamente. É uma ordem: capturá-lo imediatamente!”, disse o líder bolivariano em um ato com o alto comando militar e 12 mil soldados no Estado de Carabobo.

Maduro determinou ainda “ativar” os “sistemas de armas (…) para tornar impossível ao imperialismo qualquer aventura”, em referência aos Estados Unidos, que impuseram sanções financeiras à Venezuela e não descartam qualquer opção para remover o atual governo, incluindo a militar.

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