Por mais segurança, empresários deixam Brasil para investir nos EUA

De acordo com o IBGE, mais empresas brasileiras foram fechadas do que abertas no país em 2018, cenário oposto dos Estados Unidos

Marcos Santos/USP ImagensMarcos Santos/USP Imagens

atualizado 10/07/2019 15:19

A pouca duração das empresas no Brasil tem levado microempresários a buscarem alternativas fora do país e, com isso, garantirem mais tempo de vida aos negócios e investimentos. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, nos últimos anos, o número de empresas que fecharam as portas superou a de novos negócios. Para se ter ideia, em 2006, deram entrada no mercado 648.474 empresas – o número mais baixo desde o início da série histórica do levantamento, iniciado em 2008 – enquanto 719.551 registraram fechamento.

O mesmo estudo mostrou que dentre as empresas sobreviventes em 2016 no Brasil, apenas 38% tinham ao menos cinco anos de existência, motivo que acendeu o sinal amarelo para quem teme perder investimentos, muitas vezes, responsáveis pela manutenção de empregos e do sustento familiar. O cenário favorece, por exemplo, a busca de segurança econômica para seus negócios e, na expectativa de deixar o país, grande parte escolhe os Estados Unidos como destino. O país já acomoda mais de 9 mil micros e pequenos empresários brasileiros, o que faz da Terra do Tio Sam ser a preferência nacional quando o assunto é investimento estrangeiro, segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

A análise dos números sobre o êxodo empresarial revela que, em três anos, o número de brasileiros aprovados para morar nos Estados Unidos deu um salto. Em 2018, foram emitidos 4,3 mil vistos de imigração para cidadãos do Brasil – um aumento de 74% em relação a 2015, quando houve 2.478 passaportes carimbados, segundo o Departamento de Estado dos EUA. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, de todos os brasileiros que empreendem fora do país – já são mais de 20 mil micros e pequenos empreendedores mundo a fora – a maior fatia está nos Estados Unidos, representada por 9 mil empresários.

Pesquisa recente divulgada pelo Instituto MetLife e pela Câmara de Comércio dos EUA mostrou que 59% das pequenas empresas pesquisadas acreditam que a economia americana está com boa saúde, seis pontos percentuais acima do trimestre anterior. 58% das empresas lideradas por mulheres também estão expressando otimismo com a economia norte-americana para seguir empreendendo no país.

De olho na emigração

Para fomentar o perfil investidor do novo imigrante nos Estados Unidos, um grupo de brasileiros criou um hub de negócios com uma localização geográfica estratégica: sede em Miami, na Flórida, destino preferido de quem deixa o Brasil. Segundo o Itamaraty, aproximadamente um terço dos brasileiros que vivem nos EUA está na Flórida. O objetivo do negócio é oferecer orientação e possibilitar a abertura de negócios em território americano, que estabelece regras bem diferentes das nacionais. “Para manter uma microempresa nos Estados Unidos existem pontos que não podem ser deixados de lado. Não tem o jeitinho brasileiro por aqui”, brinca Manoel Suhet, o CEO do Global Business Institute.

De acordo com o GBI, para abrir uma micro ou pequena empresa nos EUA, a depender do negócio, o investimento pode variar de US$ 30 a US$ 100 mil, o que equivale algo entre R$ 114 mil a R$ 380 mil. Antes mesmo de começar as etapas burocráticas, Suhet explica que planejamento é a palavra-chave do projeto. “É preciso focar e definir bem qual será o seu negócio. Analisando as especificidades do serviço ou produto, é possível fazer uma boa análise de concorrência e projetar quanto de capital será investido”, completa.

Pesquisador de experiências exitosas de outros brasileiros, o programa proposto pelo instituto atende em uma ótica prática e não apenas conceitual. “Existe uma orientação universal. Independentemente do tipo de negócio que você quer trazer, na hora de abrir uma pequena empresa no país norte americano, não deixe de lado uma orientação qualificada no seu projeto. No seu time inclua uma empresa para fazer o estudo de marketing e mercado, um bom advogado de imigração e um contador de confiança”, explica

Delimitados os objetivos e escolhidos os profissionais para auxiliar na empreitada, “será preciso definir qual tipo de empresa você irá criar uma Corporation ou uma LLC. Existem mais de 20 tipos, mas esses são os dois principais tipos de empresas. Após uma análise de riscos e investimentos, o especialista irá saber indicar qual o melhor para o seu negócio”, explica Antonio Miranda, que é especialista em marketing e tem 20 anos de atuação.

Outra dica apresentada pelo consultor é que o interessado regularize todo o seu negócio, conseguindo alvarás e as licenças específicas, além do Tax ID Number – documento nos Estados Unidos equivalente ao CNPJ no Brasil. Cada estado americano tem um departamento responsável por isso. A maioria das empresas têm licenças e alvarás específicos para cada tipo de negócio. “Se o seu orçamento não permitir começar com um imóvel para abrigar seu empreendimento, hoje existem várias opções que podem ser consideradas, como áreas terceirizadas e/ou escritórios compartilhados, por exemplo. Assim você pode usar esse capital em pontos mais importantes”, sugere.

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