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A Rússia anunciou ter abatido durante a noite 389 drones ucranianos, em uma das maiores ofensivas lançadas por Kiev em mais de quatro anos de guerra. Os ataques atingiram inclusive um importante porto no Golfo da Finlândia, longe da linha de frente. A Estônia e a Letônia relataram a queda de dois drones em seus territórios, vindos do espaço aéreo russo, nesta quarta-feira (25/3).
Na Estônia, um aparelho atingiu a chaminé de uma usina elétrica perto da cidade de Narva, na fronteira com a Rússia. Na Letônia, o drone caiu na região de Kraslava.
“Um drone atingiu a chaminé da central elétrica de Auvere (na Estônia). Ninguém ficou ferido no incidente”, afirma o serviço de segurança nacional em um comunicado. A nota acrescenta que “o drone entrou no espaço aéreo estoniano a partir do espaço aéreo russo”.
A central de Auvere, operada pelo grupo Enefit Power, fica na região nordeste da Estônia. As autoridades estonianas não informaram se o drone era russo ou ucraniano, mas recordaram que a Ucrânia lançou vários ataques noturnos contra a Rússia, em particular contra o porto de Ust-Luga, no golfo da Finlândia.
“Estes são os efeitos da guerra de agressão em larga escala da Rússia”, declarou o diretor do Serviço de Segurança Interno (ISS), Marco Palloson, que expressou receio de que “incidentes do tipo aconteçam no futuro”.
Ofensiva ucraniana
Nas últimas semanas, a Ucrânia intensificou seus ataques contra a Rússia, que, desde fevereiro de 2022, bombardeia o território ucraniano diariamente. Segundo Kiev, Moscou lançou quase 1.000 drones em apenas 24 horas na terça-feira.
Na noite de terça para quarta-feira, “os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram 389 drones ucranianos”, principalmente sobre as regiões de Briansk, Belgorod e Kursk, na fronteira com a Ucrânia, informou o ministério da Defesa russo.
Os ataques também atingiram a região de Moscou e a de Leningrado, onde o porto de Ust-Luga foi alvo. A região de Leningrado circunda a cidade de São Petersburgo e fica a centenas de quilômetros da Ucrânia.
“Um incêndio está sendo controlado no porto de Ust-Luga”, afirmou o governador regional, Aleksandr Drozdenko, acrescentando que não havia vítimas até o momento. Ele não detalhou quais áreas do porto foram atingidas. O local é estratégico para exportações russas de fertilizantes, petróleo e carvão.
Em Kronstadt, onde fica uma base naval russa na região de Leningrado, vários prédios foram atingidos por drones, segundo o governador de São Petersburgo, Aleksandr Beglov. “As janelas de vários edifícios residenciais foram parcialmente danificadas”, disse, assegurando que ninguém ficou ferido.
Na segunda-feira, a Ucrânia já havia atacado o porto de Primorsk, próximo à fronteira com a Finlândia, provocando um incêndio.
“Barulho muito forte”
O governador da região de Belgorod, Viatcheslav Gladkov, relatou nesta quarta-feira “danos significativos” a infraestruturas energéticas na área, próxima à Ucrânia. “Como consequência, foram registradas interrupções no fornecimento de eletricidade, água e aquecimento”, afirmou.
A Rússia, que conduz a ofensiva contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, lançou, por sua vez, quase 1.000 drones contra o território ucraniano em 24 horas entre segunda e terça-feira, segundo Kiev. Os ataques deixaram ao menos oito mortos em várias regiões do país.
A Força Aérea ucraniana informou nesta quarta-feira que a Rússia lançou 147 drones durante a noite, dos quais 121 foram abatidos. Segundo os serviços de emergência, uma pessoa morreu na região de Odessa, no sul.
“Depravação absoluta”
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou na terça-feira a “depravação absoluta” da Rússia após os ataques em várias partes do país, incluindo o centro histórico da cidade de Lviv, no oeste, onde várias pessoas ficaram feridas e um complexo do século XVII foi danificado.
“A escala deste ataque mostra claramente que a Rússia não tem absolutamente nenhuma intenção de encerrar esta guerra”, afirmou Zelensky, prometendo que Kiev “responderá com certeza a qualquer ataque”.
Os esforços de negociação, mediados pelos Estados Unidos, para encerrar o conflito — o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial — foram prejudicados pela guerra no Oriente Médio.
Uma nova reunião entre negociadores ucranianos e enviados americanos ocorreu no fim de semana passado, nos Estados Unidos, na tentativa de retomar o processo diplomático. No entanto, Zelensky lamentou que “a situação em torno do Irã” tenha se tornado o principal foco de atenção de Washington.
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