Coronavírus: esforço por um cessar-fogo global começa a funcionar

Guerrilha comunista nas Filipinas atende a pedido de paralisação de conflitos pelo mundo, mas Líbia, Síria e Afeganistão seguem guerreando

atualizado 26/03/2020 8:29

Com o mundo em guerra contra o coronavírus, esforços para que conflitos armados sejam interrompidos têm ocorrido e começam a dar resultados, ainda que tímidos. Nessa quarta-feira (25/03), o Novo Exército do Povo, guerrilha maoista que há quatro décadas tenta fazer uma revolução comunista nas Filipinas, informou que atenderia ao pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) por um cessar-fogo mundial. Os olhos agora se voltam para os confrontos em locais como Afeganistão, Síria, Líbia e Palestina.

Na Líbia, país do norte da África que enfrenta sua segunda guerra civil da década, representantes dos rebeldes e das forças governamentais em Trípoli, a capital, chegaram a dizer que concordavam com a ideia de um cessar-fogo, mas na prática a luta continuou nos últimos dois dias, ainda que em menor grau.

Na Síria, que está em guerra civil há nove anos, os esforços da ONU são pela libertação em larga escala de presos políticos e reféns. De acordo com uma declaração do enviado especial das Nações Unidas para o país, Geir Pedersen, os sírios estão “agudamente vulneráveis à Covid-19”, pois “hospitais têm sido destruídos ou danificados. Há falta crônica de equipamentos e de profissionais de saúde”.

O governo de Bashar al-Assad reportou na última terça-feira (23/03) sua primeira confirmação de infecção pelo novo coronavírus, mas com um sistema de saúde arrasado pela guerra, a chance de subnotificação é praticamente certa.

No Afeganistão, apesar da retirada em curso de tropas americanas, os rebeldes talibãs seguem promovendo atentados, segundo a missão da ONU no país, que também fez um apelo de cessar-fogo como forma de preparar a proteção a civis e militares quando os casos começarem a se espalhar. A guerrilha fundamentalista, porém, não respondeu aos apelos.

Em Israel, onde mais de 1.200 casos de coronavírus foram confirmados, com pelo menos uma morte, a fronteira com a Faixa de Gaza passou a não ser a maior preocupação.

O país se fechou e colocou todos os visitantes em quarentena obrigatória de duas semanas. Apesar disso, os casos continuaram a crescer e a guerra com os palestinos saiu um pouco do radar – mas nenhum cessar-fogo foi anunciado até agora.

“Silenciem as armas”
O apelo do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pela paralisação dos conflitos pelo mundo ocorreu no início desta semana.

“A fúria do vírus revela claramente a loucura de uma guerra. É por isso que hoje estou pedindo um cessar-fogo imediato e global”, disse ele em discurso na sede da entidade.

“É hora de colocar o conflito armado em isolamento e nos concentrarmos na verdadeira luta de nossas vidas. Silenciem as armas, parem as artilharias, acabem com os ataques aéreos. Vamos acabar com o flagelo da guerra e combater a doença que está devastando o mundo”, completou.

O pedido tem sido endossado por diversos países, como Rússia e Espanha.

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