Como funciona o conselho do líder supremo do Irã, atacado por Israel
Israel atacou, nesta terça (3/3), o edifício da Assembleia dos Peritos do Irã, órgão responsável por escolher o sucessor do líder supremo
atualizado
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O Exército de Israel atacou nesta terça-feira (3/3) o edifício da Assembleia dos Peritos do Irã, em Teerã, órgão responsável por escolher o sucessor do líder supremo do país.
A Assembleia dos Peritos é um colégio formado por líderes religiosos xiitas que ocupa um papel central no sistema político do Irã. O órgão é composto por 88 membros, todos clérigos de alto escalão conhecidos como aiatolás.
Veja imagens do local após ataque:
Entre suas principais funções está escolher o líder supremo do país, a autoridade máxima da República Islâmica. Na teoria, a assembleia também pode supervisionar a atuação desse líder e até destituí-lo do cargo, se considerar necessário.
No sistema político iraniano, criado após a Revolução Islâmica de 1979, esse grupo de clérigos concentra grande influência. É entre os integrantes da assembleia que é escolhido o aiatolá que se tornará líder supremo.
Fontes do governo de Israel afirmaram à mídia local que todos os aiatolás que compõem a assembleia estavam presentes no prédio no momento do ataque. Até o momento, não há informações sobre mortos ou feridos entre os membros do grupo.
Como funciona o conselho
A morte do líder supremo ativa um mecanismo previsto na Constituição iraniana. De acordo com o Artigo 111, quando o cargo fica vago, é formado um conselho de transição responsável por administrar o país até que um novo líder seja escolhido.
Após a morte do aiatolá Ali Khamenei, no sábado (28/2), o Irã nomeou o aiatolá Alireza Arafi para comandar o país de forma interina.
Junto dele, assumem o controle temporário do país o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o chefe do judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei. Esse grupo exerce o comando do Estado até que a Assembleia dos Peritos escolha o novo líder supremo.
Como são escolhidos os membros da assembleia
Os integrantes da Assembleia dos Peritos são eleitos por voto popular no Irã. No entanto, para assumir o cargo, os candidatos precisam ser aprovados antes por outro órgão importante do sistema político iraniano: o Conselho dos Guardiães.
Esse conselho é formado por 12 membros, entre clérigos e juristas especialistas na lei islâmica, conhecida como sharia. Metade deles é indicada diretamente pelo líder supremo, enquanto a outra metade é nomeada pelo chefe do Judiciário.
Na prática, esse processo cria um sistema em que diferentes instituições religiosas e políticas estão conectadas e influenciam a escolha dos dirigentes do país.
O que significa ser aiatolá
Aiatolá é um título honorífico dado a clérigos muçulmanos xiitas de alto nível de formação religiosa. O termo pode ser traduzido como “sinal de Deus” ou “reflexo de Deus”.
Originalmente, o título era reservado a um número pequeno de religiosos, mas hoje é concedido a milhares de estudiosos que alcançam determinado nível de aprendizado dentro do islamismo xiita.
Esse conceito está ligado à ideia de transmissão dos ensinamentos do profeta Maomé dentro da tradição religiosa. Na vertente sunita do islamismo, por exemplo, não existe o título de aiatolá.
O papel do líder supremo no sistema político iraniano
Apesar de o Irã ter um presidente eleito, a principal autoridade do país é o líder supremo. Esse cargo reúne poder religioso e político e tem influência sobre todas as áreas do Estado.
O líder supremo pode vetar decisões de diferentes instituições e exerce forte influência sobre as forças armadas, a política externa e os principais órgãos do governo.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, apenas dois líderes ocuparam essa posição: o aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderou a revolução, e depois Ali Khamenei, escolhido após a morte de Khomeini em 1989.
Com a morte de Khamenei e o funcionamento do conselho de transição, o país entra agora em um período em que a Assembleia dos Peritos precisa decidir quem será o próximo líder supremo, escolha essa que definirá o comando religioso e político do Irã.
